terça-feira, 21 de outubro de 2014

Isco…

Se é para chocar, vamos a isso…

Ontem na viela uma rameira perdida
Deu de caras com a má sorte,
Ainda menina tingida
De cor nefasta.
Sem pai e sem mãe
Pernas abertas gerada…

Logo ao lado em declínio
Um pobre bêbado errante.
Fez da rua morada
Seu telhado as estrelas,
Depois de ficar sem pão…

Mais à frente um rapaz
Num gozo descomunal.
Para ele tanto faz
Na ganza um bacanal…

E logo ali no portal da igreja
Uma mãe qualquer
Que na ´´ foda`` gerou filhos.
Pede esmola, engana a sorte
Numa ladainha de morte…

Mas há ainda por entre telhados
A vileza escondida de um pai quadrado.
´´ fornica`` a filha, e bate no peito consolado.
E aquela mulher continua na viela
Todos lhe apontam o dedo,
Esquecem que a sorte descura
Em princípios maliciosos.

Se é para chocar vamos a isso.
O quotidiano é propício
Ao olhar do poeta.
´´Fornicação``, vício ou isco
Tudo se encaixa no poema ilícito…




Ser poeta é utopia...

Não sei, nem sequer sei a cor dos dias frios!   Se o céu é azul ou cinzento afogueado.    Nada sei de  efémeras  fantasias.  Delírio...