quinta-feira, 25 de abril de 2013

Portugal em Liberdade




Que não me roubem os cães a vontade de lutar
No seu latir esfaimado em carcaça assomando.
Não me roubem ecos perdidos no tempo
Que a memória até traiu
Horizontes. Planícies imensas que o sonho construiu
Não me furtem a essência que Abril aflorou
Muito menos se elevem em desmando
Ao que o povo conquistou

Gente do meu país nos mortos buscai a força
A história a dianteira, soltem-na feito corça
Tal a vez primeira de um tempo de cravos rubros
Sonhos em ombros libertos, Seara sulcada em versos
Gemidos de um moribundo

Gente do meu país
Neste Abril de vontade
Não esqueçam quem sempre quis
Portugal em Liberdade 

25 de Abril 2013. Antonia Ruivo.


domingo, 21 de abril de 2013

Palavras fúteis…



Sempre qua audácia se apossa
Das mãos inúteis
Vem o vento com palavras fúteis
E a esperança derruba, desastrosa
É a força da palavra lançada como pedras
Sempre que o vento renega as evidências
Baila comodamente por entre aparências
Chicoteia a vontade alheia, o amor e o brio
Ignorando o corpo a seus pés tremendo de frio

Vira ladainha na vontade trancada
Moinha deslizando na mão
Que manipula a vontade roubada
Há força que paira num triste coração.


domingo, 14 de abril de 2013

Desamparo



Os medos que não vi…
Resvalam nas pedras da calçada
Por entre corpos corroídos
O desamparo então sabe de si
Assoma uma lágrima desviada
Aos sonhos carcomidos…

sábado, 13 de abril de 2013

Chisco de gente



Nem do medo agreste o meu peito geme
Sou metade de uma outra laranja
Na rebeldia que a morte teme
No meu xaile desfolho a franja

Na minha vida a porta cerrada
O breu do escuro tranca maldita
Não me impede, estou de abalada
Mais um dia que a luta dita

Já não abano ao passar dos anos
Há muito que deixei de ter
Esperança nos desenganos
Sou somente leveza e ser

Chisco de gente de uma terra em cacos
Sou alma vadia correndo ao vento
Alimento-me de secos nacos
Sem arreios no pensamento.



segunda-feira, 8 de abril de 2013

Da palavra à imagem



Se não traz nada de novo não se aproxime.
O cansaço é tal que abre aos pés... Cratera.
É lá que apetece enterrar o desvairo.
Que nem a idade apazigua!

Se não traz nada de novo não perca tempo.
Uma pedra fria;  no lugar do coração,
 há muito tempo esculpiu morada, neste olhar moído.
 Leitura vinculada ao igual, sem sal. Coisa...
Pesa e pesa, sem sentido.
Não vê o ridículo de um poder omisso!

O cansaço é tal para palavras esfarrapadas...
Alucinação de quem foge ao inevitável.
O tempo corre apressado, as rugas deixam marcas.
Na mente e no corpo a masturbação colectiva.
Perde a dignidade!