sexta-feira, 24 de maio de 2013

Incertezas



 
Foge de mim o vento num raio de sol
Ora cá, ora lá caminho adiante
Nada é como era, nada parece ter
A leveza no ser a certeza da hora
Em que as aves se aninham num ninho que chora

Foge de mim como sempre inconstante
A castidade nas incertezas em rol  
Nada é ou volta a ser como antes
Porque o vento já não se demora
E o alento é o vazio que implora

sexta-feira, 17 de maio de 2013

A força



Deixei de saber
Escrever em verso
O verso bonito que queres ler
Deixei de saber o reverso

Da mesma medalha que é poesia
Num dia-a-dia que apela à razia
Dos sentimentos coalhados em lago azul
Onde as lagrimas repousam ao sul
Trouxe-me a gente o eco do medo
A vida os passos do acaso
Trouxe-me Deus a esperança

Naquela criança que repousa em meus braços
Traz-me o país o verde dos campos
Onde as papoilas levitam ao sol
Mas não me traz a paz como antes, em rol
E assim em força forjava versos raiados de sol.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Declínio



Que ruptura nos espera
Sem que nos ampare a força do amor
Ou a vontade corrente seja
O dia-a-dia transporte calor

Tudo parece estranho no declínio
E às vezes até o fascínio
Do amargo na boca que é a saudade
Trás consigo conformidade

A fractura no lugar do coração
Labuta contra a corrente
Dia sim, dia não. Agoniza.
Até a saudade do que poderia ter sido
Vira as costas e parte, submissa.


Liberdade



Tenho medo de morrer sozinha
Numa valeta qualquer
Vivo num país que espezinha
Homem, criança ou mulher

Aprendi em liberdade
Com liberdade em pensar
Hoje tenho vontade
Da liberdade trancar

Logo que uma criança nasce
A sete chaves no peito
Então ao crescer se agarre
À liberdade a eito
 
Tenho medo de morrer sozinha
Eu que pouco temi
Vivo num país que espezinha
O grito que mais ouvi

Acabo de ler no olhar
De quem por mim passa na rua
O medo de definhar
Em liberdade seminua.


domingo, 28 de abril de 2013

Às vezes




A força intranquila que exalas
É o que vejo a seguir ao ontem
E fico a pairar nas incertezas
De um dia o fim

Nas cicatrizes as mãos fúteis
Vasculham pedaços e laços
Em momentos refutados
Aos nós agoirento

E se então conseguires escutar
Não te percas no caminho
Às vezes o recomeçar
Não tem tino mas é ninho.