segunda-feira, 24 de junho de 2013

Cerejas



Se houvesse um tempo de cerejas
Nos teus olhos a brilhar
Como sempre que almejas
Num deserto repousar

Se fosses filha do vento, por irmã a serrania
Corça ferida, o incerto nos teus olhos quem diria
Viver sem licença para entrar ou p`ra sair
Tanto faz se amanhece ou se fica sem sentir
Por entre palavras truncadas que alarido deus meu
As cerejas são roubadas ao que não sei prometeu

De palavras engraçadas
Está o inferno cheio
De cerejas cobiçadas
Já teci um entremeio …

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Despedida



Despeço-me da cena pela vez infinita
Nas costas o peso como abanão
Só que agora não pressinto apreensão
Vou ao encontro do acaso de alma faminta

A meu lado viaja a saudade
Do que poderia ter sido

Viaja também a verdade que me faz tão sozinha
Moinha ou calcanhar de Aquiles de um tempo que não é meu
Na bagagem um rio de esperança, ao olhar o céu
Que encontre bonança, que as escolhas do vento lhe tragam as vestes
Que almeja vestir, sou filha das pedras nada por madrinha
Que o sol abra as portas ao vento, brilhe ao amanhecer
Que a mim me traga no desconhecido o saber viver

E acima de tudo que o acaso me veja mulher.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O Palco



Eu precisava que o vento se sentasse a meu lado
Termos assim uma conversa sem instante marcado
Precisava que o momento guiasse o anseio
Por entre encostas de giestas entremeio

Careço de antemão de um ápice propício
Ao estender da mão a beleza do solstício
Mas não quero que o vento invente palavras
Vocábulos efémeros que assemelham adagas

Eu precisava que o vento entrasse pela janela
Se sentasse a meu lado numa conversa serena    
Então quem sabe uma refrescante aragem
Iluminasse o palco sem antever miragem

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Incertezas



 
Foge de mim o vento num raio de sol
Ora cá, ora lá caminho adiante
Nada é como era, nada parece ter
A leveza no ser a certeza da hora
Em que as aves se aninham num ninho que chora

Foge de mim como sempre inconstante
A castidade nas incertezas em rol  
Nada é ou volta a ser como antes
Porque o vento já não se demora
E o alento é o vazio que implora

sexta-feira, 17 de maio de 2013

A força



Deixei de saber
Escrever em verso
O verso bonito que queres ler
Deixei de saber o reverso

Da mesma medalha que é poesia
Num dia-a-dia que apela à razia
Dos sentimentos coalhados em lago azul
Onde as lagrimas repousam ao sul
Trouxe-me a gente o eco do medo
A vida os passos do acaso
Trouxe-me Deus a esperança

Naquela criança que repousa em meus braços
Traz-me o país o verde dos campos
Onde as papoilas levitam ao sol
Mas não me traz a paz como antes, em rol
E assim em força forjava versos raiados de sol.