domingo, 4 de agosto de 2013

Brado




De todas as palavras que se soltam
Do fundo da garganta reprimida
Os ``nadas`` são penas que denotam
Tudo o que na vida é desdita.

Caprichos nem sempre serão porte
Assim como febril não é a sorte
O timbre da garganta soa a morte
Sonolento o ouvido que então escuta.

Ai se o tempo das cerejas almejado
Trouxesse no regaço o bom ouvinte
Acredita que até num simples brado
Os ``nadas´´ soariam com requinte.

Amanhã




Tudo foge com a estaleca de um torpedo
De entremeio os fragmentos em narrativa
Eu e tu, entrelaçados num ápice e o credo
Que aflora os sentidos tenta e aviva

A crença intemporal de que a letargia festiva
Não é minha nem tua, assemelha a penedo
Esvai por entre os dedos nega ser cativa
De um anseio que aflorou, fustiga em degredo

O tempo debanda humildemente intemporal
Sabe meu amor que a verdade é crua, é fatal
Contudo não se apega a meras frustrações

Não renega ou olvida, tudo são paixões
Nos meus e nos teus olhos afirmações
O amanhã quem sabe no tempo é ancestral




domingo, 21 de julho de 2013

O grito



Se percebesse como o grito que retraio
No fundo da garganta desgastada
Se disfarça de malandro e catraio
Nas horas em que me sinto agoniada

Por um não sê quê que tolhe mas que raio
Para a frente ou p`ra trás é a vida atribulada
Parece relâmpago deslizando em pára raio
Juro por deus que às vezes estou esgotada

Assim busco e não entendo, a estranheza
Na minha ladainha cedida simplesmente 
Ao que vejo, ao que sinto, a correnteza

Se assemelha à noção que flutua inocente
Num lago sem peixes de sonho e leveza
Abafado a medo num carma delirante.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Noite




Que certeza se esvai quando a melancolia aflora
Não há dias bonitos mão na mão estrada fora
Faca de dois gumes o cómodo da certeza
Amanhã, serei eu e mais eu na correnteza

Escusado o meditar na noite quieta
Igual aos dias e às tardes a maré certa
Como certo o vazio em redor
Trás as sombras da noite, maior
É a saudade que agora desperta
No rosto e na alma um rasgo sem cor

Mas se não procuro p`lo sol que espero afinal
Se nos campos até o restolho aguarda
Pela maresia que trás a aurora
Indago então às pedras que rolam
A futilidade das lágrimas
que assolam
Enquanto o restolho lá fora segreda

À noite.
– Vai embala-lhe o sono, é ela que implora.

domingo, 14 de julho de 2013

Chuva



  Em debanda está a chuva implorou afeição
Ao vento gelado um pouco de atenção
Ainda lhe falou de sonho e desejo
Até lhe segredou em jeito de solfejo

Mas foi tanta a ventania que a algazarra sobeja
Arrasando de antemão com o que a chuva almeja
Irrigar vales e campos com um manto de paixão
Sonhando vejam bem levar o vento p`la mão

Ao vento resmungão não importa quem vier
Arrasa à passagem e a chuva não entende
Leva na sua ira desde a mais vistosa flor
Ao telhado de uma casa tanto faz que desabe

Não há vento que perdure nem sorte que não termine
Só o vento desconhece o que é querer água e não a ter
Depressa chega o sol que põe ordem no ardil
Um lindo arco-íris que da chuva fez Abril.