sábado, 26 de outubro de 2013

Anoiteceu


As evidências ultrapassam as certezas
Ai de mim ao vislumbrar a conclusão
Rodopio em espojinho de incertezas
Remoendo em debanda a ingratidão

Mas na vida nem tudo é luzente
De que vale perder tempo que não tenho
Ontem era criança impertinente
Hoje acontece, me sinto lenho

Que arde na fogueira do ciúme
Daquilo que nunca aconteceu
Mas que lida para quê o queixume
Se amanhã serei pó, anoiteceu.


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Por aqui e por ali


Se ao escrever os poemas que não sei
A mão não tremesse de emoção
Escreveria versos doces, até direi
Que algures tombariam em tua mão

Contudo no caminho que percorro
Embalada pelo vento suão
Ao escrever versos sou o povo
Que sobe a ladeira em aflição

Por aqui e por ali planto um sorriso
Outras um forte abanão
Enleada no instante preciso
Os versos até soltei em contramão

E se um dia ao morrer não sentir dor
As penas deixarei pelo caminho
Nas pedras da calçada uma flor
Recordando o meu verso miudinho.

domingo, 25 de agosto de 2013

Alvoroço



 As saudades que eu tenho de um tempo que não foi meu
Bailam à tona das águas. Deus meu!
As saudades que eu tenho do teu rosto quando moço
Brincam com as minhas lembranças em alvoroço

Tento desvendar o sorriso se é que um dia o tiveste
Por vezes duvido disso, tudo me parece agreste
Aí tento sorrir por ti, mas o riso emudeceu e o coração entristece
O tempo às vezes escurece até a garganta emudece e eu

Recolhida nas lembranças deito ao largo as andanças
De um tempo que é só teu.

Bom dia e um beijinho.



Às pedras perguntei
Porque choram de manhã
Tola não reparei
Que a brisa corre pagã

Pelas terras deste sul eu encontro simplicidade
Num radioso céu azul antevejo cumplicidade
Entre o voo da cegonha, ou de um pardal de telhado
Deslumbramento sem vaidade no restolho deitado
Pela força que veio do vento na fúria de um espojinho
Perco o olhar campo dentro, como é belo o Alentejo
Muito longe da cidade e do seu burburinho.

Por aqui eu vou andando, bom dia e um beijinho.

domingo, 4 de agosto de 2013

Brado




De todas as palavras que se soltam
Do fundo da garganta reprimida
Os ``nadas`` são penas que denotam
Tudo o que na vida é desdita.

Caprichos nem sempre serão porte
Assim como febril não é a sorte
O timbre da garganta soa a morte
Sonolento o ouvido que então escuta.

Ai se o tempo das cerejas almejado
Trouxesse no regaço o bom ouvinte
Acredita que até num simples brado
Os ``nadas´´ soariam com requinte.

Amanhã




Tudo foge com a estaleca de um torpedo
De entremeio os fragmentos em narrativa
Eu e tu, entrelaçados num ápice e o credo
Que aflora os sentidos tenta e aviva

A crença intemporal de que a letargia festiva
Não é minha nem tua, assemelha a penedo
Esvai por entre os dedos nega ser cativa
De um anseio que aflorou, fustiga em degredo

O tempo debanda humildemente intemporal
Sabe meu amor que a verdade é crua, é fatal
Contudo não se apega a meras frustrações

Não renega ou olvida, tudo são paixões
Nos meus e nos teus olhos afirmações
O amanhã quem sabe no tempo é ancestral