quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Aparência


Não te centres na solidão que aparento
E depois uma qualquer guarida
Repouso que não faz sentido
Esfumar de uma força viva

Aparência antro do sentido
Remoinho que comanda a eito
Lavrando alma que esconde a cor
Dos dias bonitos. Desabrochar em flor

Não te centres no que desconheces
A noite antecede o dia
Repara quando amanheces
Do escuro só resta maresia.


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

E agora



E agora que a noite se aquieta
Quem dera se aquiete o sentir
Adormeça e deixe de ouvir
O ruido do escuro lá fora

A noite nem sempre amaina
Os versos que caem aos pés
Soltos ou em revés
A noite nem sempre é mãe
Agonia que o poeta sente
Lembrando os olhos que cortam
As pedras pisadas a eito
Os medos do gentio que sofre
Nas ruas que se entrelaçam

E agora que a noite se aquieta
Redescubro o vazio em que estou
Em versos que luta esta
Tão pouco do dia restou

Acordo




Cuido que não sei doida verdade
O tempo, inimigo incontrolável
Corre, corre, corsa indomável

Sorte, ou morte momentânea
Melancolia, o amor que está longe.
Rude, a precisão que então escasseia

Caminho entre mim e o singelo
Momento quantitativo ou paralelo
Acordo e redescubro, lerda saudade.

domingo, 24 de novembro de 2013

Só tu




 Só tu, reflectindo agora
Nos dias que passaram
O sentir aflora
Em anseios que vingaram
Num momento de recolha
O ser se aconchega
Se assemelha a verde folha
Na brisa que então chega

Julgarei que os sentidos
Certas horas emigraram
Algumas dores e gemidos
É certo transportaram
No momento da verdade
Tudo tem um rumo certo
Até a ansiedade
Se assemelha a um coreto

Onde a orquestra toca
Uma valsa de Chopin
Em voz rouca mas autentica
Uma melodia sã
Só tu, num amor verdadeiro
Que o tempo então mimou
Na lareira um braseiro
Meu amor então ficou.
                                      


sábado, 23 de novembro de 2013

Deus dará




A noção corre, e apressada se esvai
Desfalece no corrupio dos dias
Sem que a vontade tenha poderio
Quando a noite chega, restam mãos vazias

No beiral garças brancas espreitam
Os gatos se intricam no escuro
As árvores padecem, não adormecem
Eu, viro costas e perduro

Na memória de ti, busco conforto
No tempo que é nosso em que a sombra cai
No inverno que traz nas primeiras chuvas
Saudade de tudo o que não vivemos, lavai

O pensamento, se assim se atreve o instante
Mágoa que não é minha e carrego nas costas
Porque me atrevo a vasculhar o presente
Louca, será que julgo que as mossas

Soltam amarras e empurram p`rá frente
Os medos que renego, o telejornal lá está
E esta sombra a meu lado, será fado
Ou somente uma nesga de céu ao deus dará.