quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Vila Viçosa



Por onde passo repousam feitiços
Momentos esquecidos na orla da vida
Instantes marcados a tinta-da-china
Aba de capote em corpo roliço

Por onde passa o olhar esgueira
Nas aldrabas de bronze auguro soleira
Por onde passo não sei de ninguém
Daqui ou dali não sei, vejam bem

Contudo os meus passos percorrem ligeiros
Pelas ruelas não se sentem estrangeiros
No paraíso que um dia nasceu
Aos olhos de um rei que assim prometeu

Que sejas mais bela entre todas as belas
Vila Viçosa de palácio e capelas
Que sejas menina namoradeira
Semblante de oiro antes da fronteira

 Por onde passo recantos com história
Terra de Florbela a sua memória
Por onde passo decido voltar
Uma porta aberta convida a entrar.



terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Preciso



Preciso que me digas em campo aberto
 Que o tempo não corre
Que a saudade que tragas, não seja nossa
Ou a força nas palavras se dispa de medo
Preciso segura na tua mão redescobrir horizonte

No inverno toda a folha caduca morre
Persistindo fica a oliveira
A graça do vento quando ondula
Seus braços repletos de um verde tão verde

Preciso que me digas num olival
Onde os melros esvoaçam sem fim
Que o tempo é o menor mal
Os meses! Esses não passam por mim

Janeiro



Da sombra que cai neste Janeiro
Na brancura das casas caiadas
A ilusão que não chega
Fevereiro

Nas gotas de chuva o dia primeiro

Percorro ruelas da imaginação
Calçadas de pedra tão lisa
Meio-dia e não te encontro
 O dia prossegue nada de concreto

Nas gotas de chuva o ser encoberto
Nas gotas de chuva o cheiro a terra

Tenho no corpo as dores de um parto sem fim
Nos olhos a esperança que não chegue o (fim)
Nas gostas de chuva no mês de Janeiro
Vislumbro Fevereiro, meu amor primeiro


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Diz-me



Que esperam de mim os teus olhos
 Quando o inverno se achega
A alma em turbilhão que deseja de mim afinal
Não sei se esqueci ou se perdi no caminho
Não sei, diz-me.

Se por acaso o momento não foi antecipado
Ou se veracidade não tem semelhança
Com uma trovoada no mês de Março

Diz-me.
Porque há muito que calam os teus olhos
Comodamente se encobrem os sonhos
Ou então eu ceguei na espera imposta.



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Desde sempre


 
Não sei nada de ti há tanto tempo
Chega-me agora num lamento
O eco do teu medo

Nada sei de erros passados
Muito menos do presente
Nada sei, sonhos ocultos
Mas minha alma presente

O cheiro a terra molhada traz no seio a saudade
Ao olhar a estrada a fria realidade
Nada somos neste mundo, para quê tanta tormenta
Para quê tanta vaidade
Tanto sonho corredio, rezinguisse e contenda
Se o medo comanda a lida, o mundo gira ligeiro
Triste daquele que só pensa no dinheiro
Chega-me agora o eco do teu medo

E eu, sigo a estrada cansada
De que serve tanto eco
Tens a vida programada
Desde sempre badameco.