quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Banalidades do verbo amar



O verbo amar dilacerado agoniza
Palavras iguais semeadas a eito
Poetas percorrem cansada estrada
Sabendo que perderam o jeito

Quem socorre a palavra
Quem socorre os afectos
Há muito que a tinta lava
Amores proibidos, desejos escondidos
Em surdina descartados no nada
De uma safra enganadora
Quem socorre a palavra de si mesma
Ou atira a primeira pedra
Quem é o último dos poetas
Que ao erguer renega amor

O verbo amar dilacerado agoniza
Silaba a silaba a esperança eterniza
Será sonho, ou o amanhã floresce
Em todos os poemas que o amor desconhece


Vila Viçosa



Por onde passo repousam feitiços
Momentos esquecidos na orla da vida
Instantes marcados a tinta-da-china
Aba de capote em corpo roliço

Por onde passa o olhar esgueira
Nas aldrabas de bronze auguro soleira
Por onde passo não sei de ninguém
Daqui ou dali não sei, vejam bem

Contudo os meus passos percorrem ligeiros
Pelas ruelas não se sentem estrangeiros
No paraíso que um dia nasceu
Aos olhos de um rei que assim prometeu

Que sejas mais bela entre todas as belas
Vila Viçosa de palácio e capelas
Que sejas menina namoradeira
Semblante de oiro antes da fronteira

 Por onde passo recantos com história
Terra de Florbela a sua memória
Por onde passo decido voltar
Uma porta aberta convida a entrar.



terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Preciso



Preciso que me digas em campo aberto
 Que o tempo não corre
Que a saudade que tragas, não seja nossa
Ou a força nas palavras se dispa de medo
Preciso segura na tua mão redescobrir horizonte

No inverno toda a folha caduca morre
Persistindo fica a oliveira
A graça do vento quando ondula
Seus braços repletos de um verde tão verde

Preciso que me digas num olival
Onde os melros esvoaçam sem fim
Que o tempo é o menor mal
Os meses! Esses não passam por mim

Janeiro



Da sombra que cai neste Janeiro
Na brancura das casas caiadas
A ilusão que não chega
Fevereiro

Nas gotas de chuva o dia primeiro

Percorro ruelas da imaginação
Calçadas de pedra tão lisa
Meio-dia e não te encontro
 O dia prossegue nada de concreto

Nas gotas de chuva o ser encoberto
Nas gotas de chuva o cheiro a terra

Tenho no corpo as dores de um parto sem fim
Nos olhos a esperança que não chegue o (fim)
Nas gostas de chuva no mês de Janeiro
Vislumbro Fevereiro, meu amor primeiro


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Diz-me



Que esperam de mim os teus olhos
 Quando o inverno se achega
A alma em turbilhão que deseja de mim afinal
Não sei se esqueci ou se perdi no caminho
Não sei, diz-me.

Se por acaso o momento não foi antecipado
Ou se veracidade não tem semelhança
Com uma trovoada no mês de Março

Diz-me.
Porque há muito que calam os teus olhos
Comodamente se encobrem os sonhos
Ou então eu ceguei na espera imposta.