domingo, 2 de fevereiro de 2014

Quero lá saber



Desconheço o dia e até a noite
Nada sei de borboletas e flores
Desconheço ainda intensos amores
Num país que agoniza na fome

Esta terra gretada que chama por mim
Grita tão alto alta madrugada
Os gritos deixei de ouvir
Sentir o vir num verso proscrito
Esta terra vazia de gente nova
Deposita aos meus pés lágrimas de sal
Deixei de ver ao cair da tarde
 Nas rimas que não fazem bem nem mal

Desconheço eu sei  o medo de ser
De ter até o parecer, deixou de ditar regra
Porque choram os velhos, quero lá saber
Dos pés gretados porque faltam sapatos
Aparatos em rimas de pouco mais que nada
Não me digam crianças tenho fome
Muito menos as mães me implorem
Quero lá saber se pedem esmola
Domino o verso de amor sem bitola

Que será do poeta depois de cegar
Que será de mim ao apontar
Quero lá saber só sei escrever
Merda para o meu saber.

Frieza



Porque pedem os teus olhos o que negas dar
Tentando vorazmente surripiar ao nada, fiapos
Essa luta constante entre a realidade. Obscura
É a mente que teima em negar

Sinuosos caminhos, uma tortura sem par
Que rebusca a razão para saciar a sede
Negando à partida o amor
Frieza no acto de negar

E como ato com fita vermelha o acto de atar
Pergunto então só por perguntar
Porque negam os teus olhos cabelos de neve
Momentos de fruta madura
À partilha por dar.


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Bati com a cabeça




Esta espera incompleta em que o ser moldou
Em gotículas de gelo o amor mergulhou
Os sonhos, os pesadelos manipulou

Assim sendo partirei por aí
Levarei na bagagem pouco mais que nada
Por entre as nuvens abrirei nova estrada

Que não me apontem gestos inglórios
Medos ou aventurança em demasia
Que não me apontem o ter fugido um dia

Esta espera em que não sei de mim
Nem sequer sei se saí ou fiquei parada
Será que adormeci, mais nada

Que não me apontem a capacidade de sonhar
Ao nascer bati com a cabeça
Hoje acordei e quem sabe a vida aconteça.


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Orgasmo



Que dia este em que agonizo
Nos poros transpiro mágoa
Um quase nada refeito em tudo

Pergunto ao invisível. Quem sou?
Pergunto quem és a resposta não vem
Quem será o deus, ou o diabo
Quem seremos nós

Quem, quem , quem…

Porque tardam todas as respostas
E fogem os teu olhos
Porque me apetece virar as costas
Para logo recuar

Covarde…

Serei, e a humanidade em peso
Cobarde, cobarde. Seja lá o que isso for

Que dia este em que agonizo
A salvação da minha alma está no poema
Orgasmo idolatrado feito fonema.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Rir



Esta inercia de vida que me leva a sorrir
Numa fita amarela a prender os meus dias
Eu sei, desconheço o que está por vir
Desconheço o sonho, empurro alegrias

Num tempo qualquer em que a vida parada
Nos diz que o momento é pouco mais que nada
Eu peço licença, seguirei curva estrada
Não olhando ao sol ou se a chuva cair
Eu peço licença ao ponto de embarque
Não importa se o medo vem a reboque
As folhas de outono  são o meu sentir
Num tique-toque de velho almanaque
Empurro a vontade na vontade de rir.



quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Banalidades do verbo amar



O verbo amar dilacerado agoniza
Palavras iguais semeadas a eito
Poetas percorrem cansada estrada
Sabendo que perderam o jeito

Quem socorre a palavra
Quem socorre os afectos
Há muito que a tinta lava
Amores proibidos, desejos escondidos
Em surdina descartados no nada
De uma safra enganadora
Quem socorre a palavra de si mesma
Ou atira a primeira pedra
Quem é o último dos poetas
Que ao erguer renega amor

O verbo amar dilacerado agoniza
Silaba a silaba a esperança eterniza
Será sonho, ou o amanhã floresce
Em todos os poemas que o amor desconhece