domingo, 9 de fevereiro de 2014

Porque chove...



Porque chove minha mãe dias a fio
Revivo ora a eito ora  amiúde 
Ao olhar o largo rio
Lá em baixo, da varanda que me cuide
Deste céu que despenca tão sombrio.
O mais que os meus olhos falarão
Na saudade de um gesto que se foi
As lembranças apenas isso são
Como a água deslizando em corrosão  
Nostalgia corre livre sem entrave
Porque chove minha mãe em contramão
Porque a chuva meu filho é a trave…

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Para...



Na tolerância caminhamos livres de preconceito
Acontece ao desafiarmos o medo
Quem sabe o degredo
Contudo a liberdade de ser livre pode ser pequenina
O cordão umbilical é podre, arruína
Sufoca  
Para quê construir pirâmides em redor
Se temos medo da areia
Busco não sei o quê ao longe
Serei inteligente o bastante
Para interrogar.

De que valem arrelias



Numa espera que não entendo
O cinzento do dia trás degredo
Enleado nesta chuva, o medo.

Porque são os homens, só homens
Se chove eu quero o sol
Para logo querer tempo fresco
De seguida renego todas as nuvens
Volto atrás imploro, deus dá-me calor
Tola de mim, desconheço a falta de um cobertor

Numa espera fria irritante
A alma humana se aflige
Demente  não sabe que adiante
Um raio de luz atinge

O corpo mesmo franzino
De que valem arrelias
Não crendo no destino
Eu sei! Há certos dias.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Quero lá saber



Desconheço o dia e até a noite
Nada sei de borboletas e flores
Desconheço ainda intensos amores
Num país que agoniza na fome

Esta terra gretada que chama por mim
Grita tão alto alta madrugada
Os gritos deixei de ouvir
Sentir o vir num verso proscrito
Esta terra vazia de gente nova
Deposita aos meus pés lágrimas de sal
Deixei de ver ao cair da tarde
 Nas rimas que não fazem bem nem mal

Desconheço eu sei  o medo de ser
De ter até o parecer, deixou de ditar regra
Porque choram os velhos, quero lá saber
Dos pés gretados porque faltam sapatos
Aparatos em rimas de pouco mais que nada
Não me digam crianças tenho fome
Muito menos as mães me implorem
Quero lá saber se pedem esmola
Domino o verso de amor sem bitola

Que será do poeta depois de cegar
Que será de mim ao apontar
Quero lá saber só sei escrever
Merda para o meu saber.

Frieza



Porque pedem os teus olhos o que negas dar
Tentando vorazmente surripiar ao nada, fiapos
Essa luta constante entre a realidade. Obscura
É a mente que teima em negar

Sinuosos caminhos, uma tortura sem par
Que rebusca a razão para saciar a sede
Negando à partida o amor
Frieza no acto de negar

E como ato com fita vermelha o acto de atar
Pergunto então só por perguntar
Porque negam os teus olhos cabelos de neve
Momentos de fruta madura
À partilha por dar.


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Bati com a cabeça




Esta espera incompleta em que o ser moldou
Em gotículas de gelo o amor mergulhou
Os sonhos, os pesadelos manipulou

Assim sendo partirei por aí
Levarei na bagagem pouco mais que nada
Por entre as nuvens abrirei nova estrada

Que não me apontem gestos inglórios
Medos ou aventurança em demasia
Que não me apontem o ter fugido um dia

Esta espera em que não sei de mim
Nem sequer sei se saí ou fiquei parada
Será que adormeci, mais nada

Que não me apontem a capacidade de sonhar
Ao nascer bati com a cabeça
Hoje acordei e quem sabe a vida aconteça.