terça-feira, 21 de outubro de 2014

Alentejo

Ai Alentejo meu corpo dorido
De rugas profundas, socalcos de crença,
Teus olhos Trigueiros são sobreirais
Teu cabelo solto os verdes Trigais
Que trago no ser tal vento em gemido...

Ai Alentejo meu quinhão de esperança
De alma singela, criança travessa,
Nas mãos a enxada e a terra molhada
São águas brotadas alta madrugada,
De fontes perdidas, tempos de mudança...

Cravada no peito em dias estivais
É tão longa a estrada, curva insidiosa.
São tuas colinas, morena formosa,
Alegre cantiga de ganhão fogoso.
Ai Alentejo meu chão caprichoso...

De dolentes cantigas em boca mimosa.
A terra gretada p`lo calor do verão
Chora de dor, espinhos de rosa,
Cravados no peito em ostentação...


terça-feira, 14 de outubro de 2014

Faz de conta...

Traz-me Terra o que me falta
Nas horas de leviandade,
A enxada com que lavre
O pensamento que é fértil
Em perplexidade!

Traz-me terra em gemidos de rameira,
Sobriedade. A alcunha aventureira,
Natureza rebelde de fera enjaulada
Em panos de cetim, brocados de fel
De um olhar em espasmos.

  - Que mundo caduco!

Grita e esperneia por isto e aquilo!
Mas olha de revés a morte,
Enquanto lança na lama a sorte de viver.
Traz-me terra, Alentejo muito meu
Os olhos de outrora, a foice de aço frio
Arrancada ao pensamento de um homem do campo.
Eleva-a ao céu azul em castelo de sonhos,
 E lança na terra espigas de trigo,
E nas ribanceiras figueiras bravas.
Mas por favor deixa-me dormir ao relento.

Só na aridez serei eu…

Metamorfose da palavra
Sem significado plausível!
Traz-me terra uma cova funda
Para enterrar o que sou,
Escrivã de um tempo que desconheço,
De um reino em que amoleço
Sempre que me estico ao sol.
E no rol lavo a preceito
O que nem eu entendo.

Traz-me terra a má fama
De bêbado errante
E aí quem sabe o poema corra sem tempo.

Num tempo de faz de conta…




quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Onde comprar o meu livro Estranha Paixão.

Os amigos interessados em adquirir o meu livro Estranha Paixão podem fazê-lo na livraria onlin da Bubok, O livro encontra-se à venda no Site Português e Espanhol, também pode ser adquirido no Brasil, o pagamento é feito por transferência bancaria ou com cartão Visa. O prazo de envio é de quinze dias.

Basta colar este endereço no motor de busca ou clicar no Like abaixo da foto . http://www.bubok.pt/livros/8429/Estranha-Paixao
http://www.bubok.pt/livros/8429/Estranha-Paixao

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Correntes...

Há correntes no imaginário
Elos embrutecidos pela soberba.
Corroem e maltratam os dias
Cobiça adjacente sem nobreza.

Porque serás homem…
Nada mais que isso.
Molécula de um mundo em decadência!
Porque serei mulher apenas isso.
Átomo desqualificado na ignorância!

Porque seremos robots,
Peças simetricamente fabricadas,
Porque seremos fantasmas
De mente enjaulada…

Porque serei e tu também
Nicho imperfeito do sentir.
A quem roubaram os sonhos
E o medo de colorir…
O nosso mundo caduco,
Que de tão podre
Está prestes a ruir.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

O amor...

Após a ausência o encontro terreno.
Retorno maduro das águas de Maio!
Querer inquieto na ânsia de ter, o concreto...
Do amor que voltou, e na terra brotaram,
Margaridas em flor.

Outono.

No virar da página um novo dia
Onde as folhas caem por terra.
Outono de manhãs frias
Leva no vento e encerra
A noite de um tempo sem lei.

Nem sempre...

Complacente vem a aragem de um dia sem nome
No mosto da boca o murmurar da fonte
Seiva de vida tingida de dourado que é triste
Mas mesmo assim benévolo.

Nas mãos uma pomba de esperança
No nome liberdade,
Autonomia do querer aliada ao crer,
Simplicidade.

Do teu rosto moreno descai o olhar
Poisa em mim, ansiedade…
Nas maças do rosto areal distante,
Sem oásis de fruta madura, cheiro a alecrim
Enfim.

Nem sempre o inferno perdura
Num olhar faminto.
Quase sempre a história é triste
Nuns pés descalços,
Quase sempre.

Foto Alfredo Cunha.