domingo, 2 de novembro de 2014

Repouso...

Rebolam as pedras pela ladeira,
Depois da canseira ao subir!
Rebolam as dores, os risos
Os partos adiados.
Até a vida, rebola.

Rebolam os sonhos
Em dias seguintes,
Ironia em matizes
Que adornam os dias…
Vejam bem!
Tudo rebola depois da subida.
E a sorte repousa na cova mais funda,
Onde a terra se atreve a dormir.

Não reboles tu no tempo que é teu.
E assim desperdices pouco mais que nada,
Pequena fortuna que ao nascer herdaste…
Não rebolem aparências perdidas no ego,
Nem aflição no coração escondida.
Assomo fantasmagórico que impões
Ao mundo em redor.

E assim no buraco mais fundo,
Onde a terra repousa,
Encontres paz e a saudade p`ra trás,
Faça de ti deus… Sem pés de barro.




Estranha Paixão no Youtube


sábado, 1 de novembro de 2014

Corro...

Falta a outra metade.
A que está colada na alma
E se transfigura em partículas,
Tão finas, tão finas,
Que circulam no ser…

Falta um tempo
Na ausência de mim.
O sorrir que tanto me larga,
Até o chorar me falta
Num espaço sem fim…

No entanto corro
Atrás do vento!
No entanto grito
Na alvorada!
É que a esperança dobrada
Em dias estivais,
Traz ao meu âmago o crer

Num amanhã de paz.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Tão...

É tudo tão, tão polido…
É tudo tão, tão, tão!
Alarde vendido a metro,
E a montra a ver...
Acaba por parecer.

É tudo tão polido,
Confusos os sinais indagam.
Será por ventura castigo
Ou são nuvens de fiapo,
Sem humildade

Para olharem o espelho…

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Poesia...

´´A poesia é rima clara``
Perguntou ninguém a outro.
 Riu na sua cara
 E respondeu contrafeito.

Poesia é água na fonte,
Melodia ao nascer do dia.
Gesto de amor carinhoso
Raiva e magia.
Sobretudo inquietante,
Expectante ou distante.
Poesia é ser queixoso.

Levar nesse queixume
Pétalas de amor-perfeito.
Imperfeição nas palavras
Pode ser. Ou então…
Então, sangue que desliza no colo
De uma mulher em parto.
Deve ser calos nas mãos,
Suor de um camponês,
Um pobre que pede esmola.
Um bebé a chorar!
Poesia deve encantar
E sobretudo ficar.
Na retina além tempo.

Poesia também é rima
Mas muito mais que isso
É mutação em palavras
Que deslizam em safras
Corredias.

Ninguém olhou o outro,
Não sabia do que falara.
P`ra ele poesia era

Rimar e pronto…

Caminho...

Que não se percam os dias
Na poeira da estrada,
Nem as aflições geradas
Pelo irrequieto da vida.
Que não se perca o sorriso,
O choro até a raiva.
Muito menos o sonho…
Sob a incapacidade de ir além,
Onde as quimeras repousam.

Não te percas tu meu amor de outrora.
Não me perca eu no sentir de agora.
Que não se perca nada ao longo do caminho,
As lembranças são ramo de azevinho!

Adornam a alma na hora de sair.

Baldios...

Nos espinhos de um cardo elegi o sorrir,
De igual modo sepultei pretensão!
Aquela que trazia no ente a florir,
Ao contacto irrequieto da tua mão.

Nos baldios campestres atrevi-me a cair.
Senhora de mim, semeei afeição.
Claros sentimentos no campo a florir,
Que buscam a água na languidez do Verão.

Ou não fosse a água a seiva da vida.
Ou não fosse o amor uma flor tingida,
Pelo colorido que é o sentimento!

Ou não fosses tu quimera roubada
Aos sonhos de ontem de uma assentada…
Ou não fosse o rir cantiga no vento!