quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Assombro...

Caiu na rua o assombro, preso nas folhas de Outono!
Houve gente abismada, um sururu, intragável.
E nas pedras da calçada até ruiu o bordel…
Saiu à rua o assombro. O Rei caiu do trono!

Pergunto neste dia, em que às vezes tenho sono.
Serão os cães ventania, as palavras carrossel,
serão os homens, feras famintas a granel…
Ou então; chegou o fim dos tempos. Mono...!

Ou macacada ilusória num reino de meio sem ponta…
Jaz estendida na montra de uma qualquer baiuca!
E depois adivinho-me barata tonta.

Nada será igual! Tudo nasce e desponta.
Mas... mais dia, menos dia, logo cai a peruca.
Resta acreditar que o amanhã é que conta.



quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Amor...

Não cantes Pátria inglória
Berço de poetas tresloucados
Esquece na valeta a tua história
Da bandeira esfiapa os brocados.

Não cantes em voz dolente
Amor, ou a cor dos sentidos.
Renegas num fado miserável
O povo e seus gemidos!
Não cantes Ave-marias…
Quando todas as Marias
São Marias em desgraça.
E os Maneis…
Carcaças que mendigam na praça.

Não cantes, não te atrevas…
Repara no muro dos lamentos
Ou então…
Nos rostos quando cantas,
AMOR, AMOR, AMOR!
Engolido nas gargantas
Dos que tem fome.

Foto: Alfredo Cunha



terça-feira, 11 de novembro de 2014

Amei...

Amei por entre as flores da primavera,
Sem espaço p`ra chorar a desventura!
Pois quem ama exalta ou desespera,
Igual à sorte que perdura na candura.

De um beijo ao luar. O jus de uma quimera,
É quase sempre a ponta de ternura.
Que nos empurra ou degenera,
Em noite clara envolta na loucura!

De dois corpos cansados no viver…
Ou então, caminhos a par, insurreição.
Será o amor uma leitura a aprender.

Ou será simplesmente certeza e o prazer,
Que na morte nos embala, a perfeição…
De que amar é vida além sorte a acontecer!




quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Se nada vês…

Partindo do princípio que nada sabes.
Então o porquê que assola,
O meu coração quando abres
A porta ao sentir na esmola.
Minutos inacabados que deixaste
Atrás.

Se nada sabes ou sentes.
Porque gritam os teus olhos
Contigo a sós!
Porque moem os meus sentires
Igual a Mós.

Talvez porque a terra é redonda
E o tempo atrás exista,
Numa era recôndita.
Esta vida seja uma partida.

Partindo do princípio que nada vês
Além do dia-a-dia sem sal.
Então porque choras e não crês

Num destino ancestral…

Ao Ler...

Existem coisas que não entendo, recuso entendimento.
Palavras truncadas, acções exaltadas em passos trancados.
Que saber…
Para que serve a amputação do verbo, se tudo é simples,
em letra ligeira.
Ou então floreados descabidos do cerne…
Existem coisas que não entendo, nem me esforço,
guardo o alcance para o que vem a seguir.
Vaidade minha, esta falta de entendimento,
Cuido dela ao dormir ao relento, por entre as gentes!
Numa terra sombria a raiar de sol!
Embrenhada na sombra que as ovelhas procuram…
Ai… tão estranha forma de ser em formato gasto p`lo sal,
que as memorias brotam sem vergonha! E depois não entendo…

Recuso entender arabescos floreados no ler.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Simples… Prosa Poética.

Simplicidade, essa palavra singela que desliza enrolada nos dias,
sobrevoados por sonhos, onde os receios dormem.
É tudo tão simples e tão complicado!
A minha e a tua mente paredes meias no ser, afastadas nas firmezas.
Deslizo segura na minha insegurança, deslizas tu inseguro na inseguridade…
Tua companheira de horas mortas, tão torta mas tão segura.
Deslizo sem medo pelo sentir que assumo. Deslizas com medo de perder.
Tão simples quanto isso. Simples como só os simples conseguem ver.
Perguntam certezas ancestrais. – Será simplicidade arrogância?
Respondem inseguros e marginais os sentidos.
 - Sobranceira é a certeza, simples morte dos sonhos.
Então do que falo afinal se nem eu entendo, entenderás porventura…
O amanhã que espera frio e cauteloso, porque agora com naturalidade,
o amor fica guardado no baú das proezas.
É tudo tão simples e tão complicado, como se dois e dois não fossem vinte e dois.
Como se morrer e viver não fosse tudo igual.
A morte de um sonho pode ser a vida de um novo despontar!
Simplicidade palavra fácil mas que invertes quando omites o ser.
Simplicidade na arrogância com que vasculho o teu querer.
E então, então… estarão de mãos dadas a singeleza e a soberba,
com que nós dois vivemos de costas voltadas.



  

Sombras… Prosa Poética.

 Como não… penso comigo enquanto procuro explicação para os medos,
para o teu olhar aguado, onde pernoitei em delírio.
Como não… Quão melindrosa é a razão. Sombras numa parede qualquer,
vestimenta de mulher. Exuberante saber, simples sentir…
Porque a simplicidade é gomo de tangerina saboreada com fervor,
é mel por entre os dedos, escorre vertiginosamente pela mente.
Eleva assim ao monte mais alto o amor!
E o medo… ai o medo de arriscar a ser feliz, atira contigo ao chão.
  -Como não?
Perguntam as vozes que te assombram no sono. E tu dormes,
aconchegado nas certezas, e as incertezas pairam no escuro.
Não te atrevas a respirar, a chamar, a sentir, o cheiro de Abril.
Não vá a sombra que espreita pela fechadura, acordar os mortos.
E nesse dia a Primavera chegará aos campos… Como não.
Penso comigo enquanto no meu receio os teus medos dançam em castigo.
 E o amor definha sem abrigo!