sábado, 4 de abril de 2015

Páscoa

Os ovos, e os coelhos alinhados,
o alecrim. E Jesus admirado!

Tempo de Páscoa, tempo de festa,
e o mundo descai… Que festa esta?

Tempo de Páscoa, ai que saudade.
Da ilusão, da meninice,
 Ai que saudade do fim de festa,
Onde a vontade sobressaísse.

Pintura: Calvário, de Antónia Ruivo.




quinta-feira, 2 de abril de 2015

Estas Rosas... Uma Páscoa feliz.

As rosas que me caem aos pés,
são de uma ausência deslavada,
por todas as lágrimas que chorei, depravada.
E as lágrimas são cardos, pisados a eito,
por ilusões e paixões. Amor-perfeito!

São estas rosas os beirais do telhado,
onde repousam ninhos de andorinha.
São as esquinas que me amparam marés,
Propicias ao desencanto!

São rosas vermelhas, beijos esquecidos,
outras vezes brancas, mortalha em vida.
São estas rosas vaidade minha!
Pois na saudade sou senhora e rainha.


sábado, 28 de março de 2015

Logo mais...

E se o luar fosse sinal de que o amanhã floresce,
se o verde das árvores ficasse mais verde nesse luar.
E as pedras da rua fossem cirandas ao circular.
Mas o luar é só luar, as pedras, só pedras, e as árvores estão nuas.
Nessa nudez sobressai a certeza de que a luz pálida da lua,
atrai todos os Invernos.

Daí, o frio que pressinto ser muito mais que isso.
É um glaciar onde escasseia a vida.
Ou não fosse a noite prenúncio pálido onde coabita o credo,
e eu creio, com a crença propícia à cegueira…
O mundo não é mundo se a paixão sucumbe.


E a noite, ora a noite… logo mais dará lugar ao dia.


Logo eu...

Por vezes as palavras falham. Estão a mais,
 com uma futilidade estonteante.
Por si só, sinto na garganta o supérfluo.
Não sei que falar, que escrever.
Ele é um nó… que me atrofia.

Por vezes as palavras erram. Sem norte,
vão e vêem na minha mente,
vêem e vão, constantemente.
Correm veloz, mas… morrem antes de nascer.

Logo eu, que tinha tanto para dizer.



segunda-feira, 23 de março de 2015

Condor...

E se o sonho viesse uma única vez.
Me elevasse p`lo alto até o sol se pôr.
Se à meia-noite me mostrasse a lua,
ou as sombras que circundam, o sei lá, talvez…
De uma quimera.

Seria a noite, com certeza dia!
E a lua apesar de gélida aqueceria o meu ser.
Seriam as estrelas farol em alto mar.
E a saudade que me circunda,
se dissiparia nos ecos do meu pensar.

Mas como quimeras são castelos de espuma,
onde os fantasmas pernoitam.
Peço ao sonho simplesmente, um sorriso.
E aí… a lua, as estrelas e o mar,
dançarão noite fora, como no céu o Condor.




sábado, 21 de março de 2015

A Poesia...

A poesia é um caudal de água cristalina,
ou espuma branquinha em praia deserta.
Partitura de Beethoven, rir, suor e sina.
Deve ser brisa liberta que desperta…

O sentir pelo chão gretado, uma menina,
logo mulher… elege o amor em estrada incerta!
A poesia deve ser o sol que ilumina,
a tarde quente ou sombria da alma humana.  

Por tudo isto reclamo aos versos forjados,
retalhos de ceara por ceifar, brocados…
Molhos de rosmaninho em terra de ninguém.

Reclamo o teu olhar com ousadia e saudade.
Nos versos desnudo a minha ansiedade!
Choro por mim, que agora aqui… Amanhã além!

 21-03- 2015