sábado, 11 de abril de 2015

Logo Mais...

Por entre as gentes encontro maneira
de estar contigo.
Por entre as esquinas das velhinhas ruas,
vislumbro a saudade que presenteia,
um rosto amigo.

E as pedras já gastas; do austero castelo,
falam de um tempo lá atrás distante.
Onde em brincadeiras se jogava ao eixo,
se desenhava na terra o jogo da macaca.
E a criançada munida de fisgas,
atazanava a vida da passarada.

Por entre as gentes sou apenas eu,
tal como tu, destino comum!
E logo mais, um poema nasceu,
Ao olhar a lua, mas que trinta e um!


sexta-feira, 10 de abril de 2015

Logo mais...

No labirinto que são as palavras;
desenho o teu rosto a tinta-da-china,
e silaba a silaba, desenho o afago que me dás.
Fico ali! Como se os céus antevissem a sina,
das tuas mãos pousadas no meu colo.

Eis que o desenho salta do papel,
e dança alegremente no céu estrelado.
A noite sorri porque presente,
que ao largo bate um coração apaixonado…

E logo mais quando a noite for mais noite,
e a lua se livrar das nuvens,
um calafrio percorrerá a minha pele!
E tu… ilusão subtil, ou delicada miragem,
 serás a estrela que me impele…

A ir além, onde os céu e a terra se tocam!
Onde os sentidos reconhecem a paixão,
e as nossas mãos por fim se entrelaçam,
e assim permanecem ao sabor da emoção.


quinta-feira, 9 de abril de 2015

Que Nunca é Tarde...

Converso contigo no silêncio!
Falamos do tempo, das gentes na rua,
de como é bom viver no Alentejo.
Falamos das crianças que brincam libertas,
do vizinho na mercearia. Diz que tem gota!
Vê bem… até falamos de poetas!

E assim por horas a fio converso contigo.
Mas só respondem as paredes!
Os gatos e o cão, até um pombo vadio,
que mora na casa dos fundos.

O que tu não sabes, é que guardo no baú do sonho,
as conversas que não temos, aquelas que falam de amor.
E que um dia, quando o silencio se cansar,
e trocarmos um olhar, falaremos noite fora…
Que nunca é tarde para amar.



quarta-feira, 8 de abril de 2015

Há Palavras...

Há palavras que são beijos,
numa face rosada pelo frio da manhã.
Outras são asas de brancas borboletas
num bago de romã.
Palavras que são realejos,
ao ler em alta voz. Casca de noz!
De velas içadas, caravelas em alto mar.
Palavras a provocar!

Algumas até adormecem;
para logo despertar.

Recomeça a correria,
palavras e mais palavras,
do peito a sussurrar!

Palavras de amor, jogadas à lua.
Loucura ou paixão em pleno verão.
Palavras despidas dançando na rua,
içadas ao alto num verde balão.

Até a lua sorri, expectante…
Inventam-se palavras…
Que aquecem a alma!
Desnudam o peito!
Mostram que a vida,
é para ser levada com jeito.

Há palavras que são beijos,
de moçoila ao luar.
São gaita-de-foles, solfejo.
Colina que ao longe vejo,
onde despertam os sonhos.
Há palavras que são andorinhas a voar!




sábado, 4 de abril de 2015

Páscoa

Os ovos, e os coelhos alinhados,
o alecrim. E Jesus admirado!

Tempo de Páscoa, tempo de festa,
e o mundo descai… Que festa esta?

Tempo de Páscoa, ai que saudade.
Da ilusão, da meninice,
 Ai que saudade do fim de festa,
Onde a vontade sobressaísse.

Pintura: Calvário, de Antónia Ruivo.




quinta-feira, 2 de abril de 2015

Estas Rosas... Uma Páscoa feliz.

As rosas que me caem aos pés,
são de uma ausência deslavada,
por todas as lágrimas que chorei, depravada.
E as lágrimas são cardos, pisados a eito,
por ilusões e paixões. Amor-perfeito!

São estas rosas os beirais do telhado,
onde repousam ninhos de andorinha.
São as esquinas que me amparam marés,
Propicias ao desencanto!

São rosas vermelhas, beijos esquecidos,
outras vezes brancas, mortalha em vida.
São estas rosas vaidade minha!
Pois na saudade sou senhora e rainha.