sábado, 16 de maio de 2015

Não estás comigo...


É na noite que tudo acontece,
em pequenas clareiras de folhagem densa.
Entra a luz da lua e não me reconhece:
Não sei se é da sina, se da crença.

Pode ser a alma que vagueia ao luar,
os sentidos em horas mortas.
Será quem sabe um mendigar.
Ou então o transpor de portas.

Arredado o pensamento:
baila nas palavras de letras miudinhas,
 umas atrás das outras!

Amanhã, sorrirás certamente!
Enquanto na estranha dança
serei um pequeno átomo.
Que o vento depositará na tua alma.

Tudo porque hoje não estás comigo,
 por entre o silêncio da casa deserta.
Onde as sombras vagueiam,
tal alma penada, vagueiam!
Assim como os poemas incompletos.

Logo mais os depositarei no teu olhar.





quinta-feira, 14 de maio de 2015

Incrédulo...


Hibernam as palavras e com elas os sentidos,
as vontades, até os devaneios adormecem:
sem tempo! Na memória ecos em gemidos
do que foi sem ser… E todas as ilusões fenecem!

São letras e mais letras, vocábulos reprimidos.
Manhãs por recordar, que jamais acontecem!
Sonhos de poeta em carreiros desconhecidos,
viagem à tangente que me mantém refém.

De um mundo colorido! Mas pernoita a sombra
no limiar da porta. No acervo redescubro
um passo que não é, ou o que não foi é dia:

de sonhos em viés! Caminho paralelo:
e as palavras são a fortaleza da alma.
Pedras! Ou… recordação de olhar incrédulo.






sexta-feira, 8 de maio de 2015

Ficamos só nós dois...

Se afastasse o vento para detrás dos ombros,
seriam as encostas da serra a mesma coisa?
Se olhasse de frente para o sol:
Ficaria cega num ápice.
Então, porque revivo amiúde o que deixei lá atrás?
Deve ser do vento:
Perde-se volta e meia no descampado!

Que é a mente irrequieta…

Logo, entras pela janela entreaberta.
Converso contigo por entre a penumbra,
rimos. Como só nós sabemos.
Brincamos com as palavras!
E deixo… entrar todos os poemas:
Como se fossem peões, dançam tresloucados,
o vento em alarido vira-me as costas.

Ficamos só nós dois, admirados!
Enquanto ele se diverte nas encostas.


quarta-feira, 6 de maio de 2015

Tenho tanto p`ra contar...

Não sei….
Se de tanto que digo, se de tanto que penso.
Se o mar é azul, por vezes o acho verde!
Se as nuvens são cor de neve, ou sé é o contrário.
É a neve que tem a cor das nuvens.
E o algodão tem a cor de ambas, ou…
Não sei…
Se é o brilho dos teus olhos,
se sou eu.

Saltam poemas aos molhos!
Pode ser da palavra,
dilacerada estrada fora.
Não sei, e no entanto:
Tenho tanto p`ra contar!






Adormeço...

Embalada na penumbra, 
descortino o pensamento.
Por entre a noite a tua imagem!
Desce tranquila no limiar do silêncio.
Engraçado... Diria mesmo é vertigem,
a palavra lavrada no coração.
É safra, amor-perfeito, até...
Paixão assolapada!
Que conforta a minha madrugada.
E assim por entre palavras roubadas ao imaginário...
Adormeço, não sem que antes sorria,
Amanhã ao acordar nova palavra desenhada,
E o meu dia... Nascerá claro.


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Do arco íris...

Mão na mão pelo carreiro,
Manhã de sol, e depois?
Ao longe o arco íris!
Uma música suave!
Nas asas do vento,
De um tempo prazenteiro.

Mão na mão e o coração,
caixinha de tantos enigmas,
contém a emoção.
E de um fado tece asas.

Do carreiro tece o sonho,
de uma valsa ao luar.
Do arco íris um tear de fino fio.
E do vento uma estória de encantar.

Fica a manhã para depois!
Quando a noite acontecer…
E o sol do teu olhar,
sorrir deste tecer.

Mão na mão pelo carreiro,
que o sonho é colorido.
Nas margens do um ribeiro,
está o quadro concluído.

domingo, 3 de maio de 2015

Maio...

Traz Maio preso nas pontas o teu nome!
Também uma melodia e o cheiro a maresia.
A ternura parece bailar e tudo acontece…
Traz Maio o deslumbramento da Primavera!

Que ele traga alegria como presente,
e todas as palavras sejam uma sinfonia,
onde a alma descanse docemente.
Quem sabe: o curso do rio assim mudaria.

Traz Maio o teu rosto numa nuvem azul!
Nela a tua voz que sussurra na ramagem,
rasgando o sombreado finito do sul.

Tudo não passa de grandiosa miragem!
Desenha mil estrelas na nuvem azul…
Enquanto adormeço envolta na aragem!