domingo, 4 de outubro de 2015

As cicatrizes...

Escrevo nas linhas de agora anseios de então!
Nesta encruzilhada onde maremotos invadem
todos os vendavais do meu coração.
Enquanto isso sei que sou refém!

De todas as nostalgias da interrogação.
Sou gare vazia onde escasseia o trem,
que me empurre p`los sonhos em contramão.
E todas as noites nas dores se contraem!

Num vazio muito próprio ao desamor,
há falta de ambição; ao raiar por nenhures:
sou fantoche de mim mesmo, e dos lugares

que a luz teima em emergir. As cicatrizes
que deixei para trás, são moinha sem cor!
Deslavadas p`lo saber… de nada serve o clamor!


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Dizem é política...

Olho em redor e vejo alheamento!
Os olhares são vagos, olheiras fundas,
os ombros, pesam toneladas.
Até os sorrisos estão tão gastos!
Olho em redor e o meu país definha.
Num Setembro macambúzio.

Na TV tudo entretém!
Enquanto uns tantos mentem,
utopicamente, mas mentem.
Dizem, é política!

Num festival de entretenga e de mentira,
reina uma inercia passiva!
Olho em redor… é a circunstância destrutiva:
enquanto nos olhares desabitados,
todos os sonhos hibernam!

domingo, 27 de setembro de 2015

Secarei todas as palavras de amor...

Secam-se em mim as grinaldas!
Não passam de fantoches aos meus olhos,
seca o amor, enquanto alguém morrer…
De fome… de medo… ou de frio…
Mas que abandono em estendal!

Perdem a graça todos os poemas
sem atitude.
Não fazem sentido abraços mão na mão,
não, não fazem.
Grosso modo: sou ignóbil ao meu tempo;
vaio o que não entendo.
Grosso modo: nem só o amor procria,
da indiferença  brotam raízes.

E um dia ao olhar o horizonte,
tudo o que avistas são cruzes.
Por isso mesmo:
secarei todas as palavras de amor,
em poemas que são farpas;
espetadas  lentamente.
Assim, sem mais nem porquê,
num tempo intransigente com a vida.
Dou prioridade às farpas!

Seria eu vendilhão do templo,
se me vendesse por uns trocados…
Palmas… muitas palmas!
Beijos… tantos beijos!
Abraços em demais amasso!
Jamais quero na mão o que não entendo,
neste palco de cabeça para baixo.
Sou poeta, e como tal:
berro… o cheiro a podre…

Seco… mundo medonho!
Sou poeta de cepa intransigente,
berro ao cheiro a morte.
E ao enxofre da mente
jamais me curvarei.

Ainda assim...

Ignora-me.
Mas também os gritos,
deste povo.
Barro chão!

Ignora a lembrança
da minha pele na tua.
Da minha voz
ao teu ouvido.
O coração!

Ignora o barro,
a terra vermelha,
ou amarelecida p`lo trigo.
A minha feição
de moira fronteiriça.
Com o deserto
o pão!

Ignora-me.
Mas ignora também
a memória que trago
cravada no peito.
Gravada nas mãos
a solidão!

Ignora as lágrimas,
à luz da candeia
dos teus avós.
São as minhas de hoje!
Nas costas a curvatura
que herdei da terra.
Que vastidão!

Ignora-me.
Ainda assim, a tua lembrança
sou eu.
E aquela estória a recordar
te traz até mim!
Tenho ou não tenho…

Razão?

Caso Perdido...

Se eu sair para a rua e procurar nas pedras os abraços,
todos os que esqueci de partilhar.
E nesses abraços corressem rios de águas calmas,
e o teu olhar depositasse no meu rosto, o que não vejo.
Se eu sair, não grites indiferença.

Sim… vai por entre as sombras do jardim
mas leva nas mãos o impossível.
Talvez me torne uma pessoa diferente,
não tão crua, não tão sóbria.
Deposita aos meus pés a ilusão e a utopia,
Estou cansada de ser quem sou!
Traz até mim a fantasia.
Sem ironia.

Mas se eu sair para a rua num dia de temporal,
e secar as lágrimas nos rostos… Com que me cruzo.
Vira-me as costas.
Serei caso perdido, e como tal:
Pretendo ser esquecido.




quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O Outono e a Vida..

Uma a uma, tombam as folhas no chão,
por entre o verde resistente.
Penso comigo : gosto de ti!
Do dourado da pele, do cheiro a folhas secas.
Mas o outono é sempre a remissão de qualquer coisa!
Não há como ser diferente.

Tal como as folhas que caem das árvores,
cai aos meus pés a ilusão.
Despeço-me dos dias quentes.
No branquear da cabeça, em passo mortiço…
Tal como as folhas, também a saudade é maré!
Em debandada p`lo chão.

Uma a uma, tombam as folhas no chão,
e no outono de todos os contentamentos,
meu amor: vislumbra-se o inverno.
E com ele se abeiram os dias cinzentos…



segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Ausência...

Desconheces quem sou na sombra fugaz,
de uma qualquer tarde por entre o casario.
Posso ser a terra…ou então serei incapaz
de suster o eco de um espaço vazio…

Sem te olhar a tempo:  por não ser capaz;
apresso o passo … E mesmo assim sorrio!
Tudo em redor me parece fugaz…
Nada se compadece… mas tremo de frio!

Pressinto os raios de sol na opulência,
das luzernas por entre a sombra.
Não… Não te percas nos meus passos:

como me perco a adivinhar os teus.
Sou o que resta de uns quantos beijos,
na pacatez de uma estranha ausência.