domingo, 10 de abril de 2016

Não me parece...

Se escrever de amor: serei levada a sério?
Ou de sexo, pelo prazer do sexo?
Não me parece,…até as sombras tem medo
de olhar a claridade!

Deveria ser o contrário:
sombra, atrair a luz e, vice-versa.
Numa terra onde quem tem olho é rei,
é preciso pensar… mas nunca além da conta!

Estou cansada de mendigar palavras,
que não entendo.
Quero o meu quinhão à luz do dia.
Estou cansada de amores impossíveis,
onde abunda o sexo dos anjos.
Utopia impropria ao sonho.
Estou cansada, pelo prazer de estar cansada,
de mim!

Agora… se falar de amor serei levada a sério.
Não me parece…
Numa terra onde quem tem olho é rei,
resta o delírio... aos imperfeitos…

Deixem...

Procuro por entre balsas uma luz azulada.
Que traga na áurea uma cauda caída.
Um horizonte onde os mortos descansem,
em campa rasa, no coração dos vivos.

Procuro, mas não encontro!
Nem flores, nem picos, muito menos o dourado,
sem sombras…

Na impaciência descubro o cerne,
de uma terra seca pelo vento suão.
O gretado das mãos é semelhante ao barro!
Enquanto procuro a perfeição.
Impulsionada: até pelos meus defeitos.

Sou poeta de beira de estrada.
Acredito no luar de Janeiro.
No calor de Agosto, no cair da parra,
em Setembro.
Sou poeta de beira de estrada,
e tenho medo.

Por isso: deixem que sonhe…
E que traga nas costas o peso da frieza.
Ou que traga no peito o calor dos gestos.
Deixem que sonhe com o país real,
enquanto não morro.

Deixem que grite, ou que chore.
Se não virarmos as costas ao marasmo,
não sairemos do lugar.


sexta-feira, 8 de abril de 2016

Estado de alma...

Se ao chorar, cortam as lágrimas as paredes
para desaguar na terra seca e gretada,
que os teus pés pisam. Ou caem-me aos pés,
sem algazarra. Insidiosa e nefasta
é a incerteza!

Se ao chorar, terá significado o dia e a noite.
Ou será só mais um na roda da vida.
Só mais um dia… Sem que o sol aqueça
a utopia. Só mais uma noite sem luar.
Mesmo que esteja, lua cheia!

Se ao chorar.
será que importa o estado de alma,
se os teus passos vão em contra mão.
Enquanto invento perguntas,
que nunca saberás!

sexta-feira, 25 de março de 2016

Tempo de Páscoa...

Eu sei Meu Deus…
Deves andar muito ocupado!
O mundo está de pernas para o ar,
e somos todos infiéis.
Mesmo que juremos o contrario!
Eu sei meu Deus…
Vivemos com um olho no burro
e outro no cigano.
Mas… somos todos Teus Filhos,
seja qual for a cor da pele,
ou o nome que damos à ambição.
A Omnipresença é Una,
na energia que movimenta a terra.
 Todos os credos indicam a Tua Soberania!
Por isso Meu Deus…É tempo de Páscoa:
 olha pelos que sofrem e o sangue de Jesus:
seja a cura para as chagas da humanidade.

sábado, 19 de março de 2016

Contramão...

Vejo em ti uma mistura agridoce,
num jeito traquino de olhar o dia.
Vejo uma ruga na testa, olhar triste.
Ou…um sorriso altivo!

Vejo em ti:
tudo o que foi um dia de verão.
Luar que inunda a noite,
onde as estrelas pernoitam.

Vejo em ti ao cair da tarde,
a minha solidão.
Vejo também o tempo a passar
e nós dois em contramão.


Basta um dia de sol

Diz… porque choram os lírios
num Março serôdio,
se as brancas margaridas
inundam a planície.

Diz… porque choram os meus olhos
ao cair da chuva,
se a lembrança do teu rosto
está presente.

E porque vives bem sem mim,
no corre-corre da vida.
Se tal como os lírios e as margaridas…
Basta um dia de sol, e se abre uma flor!




Pedras...

Cavaleiros solitários,
emergem do ventre da terra!
Baluartes resgatados à memória,
em branco cinzelado de sangue.

Sal e suor em tons rosa.
Imponência viva,
em sono profundo.
Ouro extorquido à terra,
gretada p`la força da vontade.
Na qual resta a frieza da pedra.

Reminiscência ou apelo,
através do tempo…
Vigiam na quietude o abandono,
no berço que um dia
lhes mostrou a luz do sol.

Esperam um olhar.
Num gesto de afeição.
montes e montes de pedra,
ali estão…

Exército em vigília!
Aguarda p`lo sarar das feridas;
enquanto a paisagem reclama,
a sombra de um sobreiro.