sexta-feira, 24 de junho de 2016

No teu olhar

Nos olhos uma paz icónica.
Na boca a tentação e no rosto a certeza:
Que o mundo não gira ao contrário.

Numa tarde de verão em que tudo acontece…
As andorinhas sobrevoam o céu.
Soam os passos nas pedras da rua.
Enquanto o sol se esconde no horizonte.

O dia adormece e os sentidos acordam!
Penso comigo:
Mas que roda-viva é a vida,
no teu olhar!


quarta-feira, 22 de junho de 2016

Brechas

Sabes: Quando tudo te cai em cima,
corrente tresloucada, sem limite…
Até parece que escorregas da colina;
que é a vida. Sem te permitir palpite.

Ficas tolhido, sem sol ou lamparina.
Num palco desenhado a grafite.
Em que tudo dança igual a bailarina.
 Onde entraste sem par ou convite.

Sabes: Aquela voz que almejas, não está.
Só o silêncio ressoa nas paredes brancas.
Até o vento anda por aí ao Deus dará…

Escusa-se a entrar como se escusam as asas.
Mas o tempo não pára e logo ditará:
Novas regras através de ínfimas brechas.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Não sei...

Se em todos os olhares se perdem as sombras,
 a penumbra augura filamentos desconhecidos,
de um verde esverdeado pela sombra da tarde.
Enquanto ao sul as cigarras adormecem!

Que tempo é este onde os dias se escondem?
Se as noites adivinham sonhos por cumprir!
Pergunto: que tempo é este?
 Se até os passos são metas sem som!
Se as sombras deambulam pelo riachos do tempo,
enquanto a alma permanece imóvel e o vento…
Esbarra nos muros em lamento.

Não sei. Se é de mim, ou do tempo.
Se é o vento ou a alma, ou se os passos
se aprisionaram à sombra e a tarde
há muito virou costas.
Não sei.  

O corpo dormente não sente

No cume do mundo uma semente térrea,
uma cascata divina, um roseiral em flor.
Beijada p`la brisa com extrema ousadia
se encobrem as penas, se esfuma a dor!

Sempre que a fantasia se atreve e baila;
uma criança sorri. Então, onde está a cor
no seu olhar aguado? Choro em agonia,
farrapo torturado onde falta amor.

Dia um, ou dia primeiro na compaixão,
de um dia, onde se pinta diferente
 todos os (junhos) que pernoitam sem pão.

Não… para quê chorar? O corpo dormente
não sente. Não… descura coração…
Aquela criança, pobre indigente.


sábado, 21 de maio de 2016

Para onde vai...

Para onde vai a sombra de fraco intento.
Manto purpura e surrado.
Sonho inaudito à boca da noite.
Ou pássaro alado, sem rumo.

Misterioso e entontecido,
é o silêncio!
O que mói: Nem sequer é a saudade.
É o sossego das respostas.
Inexistentes ao ouvir o som da alma.
Onde se perdem todos os passos…
Onde os grilhões são metáfora,
que os poetas manipulam.

Para onde vai a rainha descalça,
coberta de trapos esfiapados?
Se nem sabes a resposta,
como a há-de adivinhar, a morte.

sábado, 14 de maio de 2016

Destino...

Passei há pouco pelo destino,
nem sequer me reconheceu.
Porte altivo, porém de menino,
que no encontro entardeceu.

Paredes meias de olhar vazio,
sobre os ombros a sua cruz.
Perdeu-se a sorte numa esquina,
só porque a altivez a isso conduz!

De que importa se os dias tremem de frio,
ou se a vida é curta e franzina.
De que importa se o peso dos anos,
é a cruz de uma qualquer sina.
Passei há pouco pelo destino e uma lágrima caiu!
Fingiu que não viu e perdeu-se assim,
de mim e de si naquela esquina.


domingo, 1 de maio de 2016

Não digas nada

Se me aproximar de ti presta atenção
ao meu rosto. Mesmo fechado, sorrirá.
Como quem ri para a vida e por condão,
tropeça…. Numa flor que se abrirá.

Gosto de ti. Estranha contradição
é esta forma de amar. O que faltará
para que as estrelas em abolição,
guiem na cauda o alento que suportará…

Todos os sonhos ao luar. Se me aproximar,
será porque afastei a sombra do entardecer,
e com ela se foi o silêncio. Se me aproximar:

Não digas nada, sorri e deixa acontecer,
todos os anseios que estão por acarinhar.
E quem sabe no teu peito possa adormecer.