domingo, 21 de agosto de 2016

Não queiras ser xenófobo.

Nos mil véus em que o ocidente se esbarra:
Deambula a liberdade em cativeiro!
Perfazem penedos. Inocentes em guerra.
Morte às mãos do carrasco, traiçoeiro.   

Qualquer ser xenófobo, soterra na lama
de um racismo em tudo igual a vampiro,
do sonho do outro… É alimento da trama
do poder pelo poder até ao último suspiro.

De uma mulher em sangue… Menina roubada
aos anseios, Burka negra da liberdade.
 Terror nos olhos de uma virgem mutilada.

O que são trapos senão sinónimo de cultura?
São todos eles, o xaile preto da saudade…
Enquanto tu és lamina repressiva e omissa!

A hora…

Espero sim, na penumbra do desejo:
Tal como a terra espera p`la chuva!
Encostada à esquina dos dias prevejo.
Que se acerca o norte para além da curva…

Mesmo que o tempo seja de lampejo.
E o brilho do sonho seja uma canoa.
Nada me detém, na busca o ensejo,
que a vida apregoa na fria madrugada.

Olho o horizonte está nele estampado.
Um sonho adiado ao romper da aurora.
Mil estrelas  p`lo ar, instante guardado…

Ao sabor do tempo, visão sonhadora!
Lá onde deixei um olhar cismado.
Que afirma sem medo; acerca-se a hora.



terça-feira, 16 de agosto de 2016

Sim... e não me leves a sério.


Por favor; nem sempre me leves a sério.
Não: Quando o formigueiro se alastra…
Quando as palavras rolam descaradas!
E as frases deixam de fazer sentido;
mesmo que o sentido seja o sol.

Não me leves a sério, sou malabarista,
cantor, escultor, até pintor sem tinta!
Artista de circo, figurante ou mau actor,
sou poeta! Vejo borboletas onde falta a água…
Cometas sem cauda; vejo terra e cor,
chuva, vento ou maresia numa flor murcha!

Por favor; só me leves a sério no caso sério:
Em terra de ninguém, ou num corredor escuro;
e só se a mente adormecer.
Leva-me a sério, num filho sem pai…
Num poema sem rosto e mesmo assim,
é a cara chapada da humanidade.
Não me leves a sério. Sou ser de mil vozes!
Mas leva-me a sério. Das dores faço nozes!


domingo, 7 de agosto de 2016

Olhas para mim por inteiro...



 E agora, que inclinaste a cabeça sobre mim.
Reparaste na minha pele esbranquiçada.
No meu andar em círculo, sem estrada…
Ou nos meus olhos cor de terra. Chegou o fim?

Ou pelo contrário, ficaste cativo, sim…
De todas as visões de mente tresloucada.
Da minha mão um tanto desfigurada,
pela tinta que circunda o meu jardim.

Nele semeio; interrogações como balões.
Fertilizo a terra sem crer em candura.
Sempre que nasce uma rosa, é frescura!

Na aridez da minha mente. E agora?
Olhas para mim por inteiro, ou chegou a hora
de martelar o ultimo prego nos grilhões.


Não digas nada em Agosto...

Não digas nada, resguarda o silêncio.
Descai sobre as cabeças um grito aflito,
mas inaudível aos ouvidos. Silêncio…
Tudo o que necessita o instinto.

Deixa correr sem pressa o leito do rio.
Estão as almas cansadas, em compêndio:
Estão os corpos suados p`lo Estio.
Num mês de Agosto, de sombra vazio.

Não digas nada. Deixa que sonhe…
Todos os sonhos sem alma. Deixa que sonhe…
Todos os dias sem cor, e quem sabe os pinte;
com a cor do amor.





A certeza restou...

Se dou por mim dividida entre o sim e o não…
Perco demasiado num pensamento livre?
Ou pelo contrário? É a fronteira o limite
que rouba à mente a devida atenção.

Perco quase sempre num breve senão!
Mas a vida ensina a antever horizonte.
Serei sempre livre, bebo em qualquer fonte.
Do não… desconheço a baliza sem pretensão.

Ser ou não ser; igual ao que o ser mostrou.
Inquiridor de mim mesma e até dos dias,
em que me sinto vadia de mãos vazias.

Se deambulo pelo escuro e vislumbro razias,
 mergulho no  sol. Quando dou por mim sou
um farrapo roto. Só a certeza restou.