domingo, 9 de outubro de 2016

Como te levar a sério…

É para ti que escrevo, que invento emoções.
Para ti, que na curva dos anos negas e oscilas…
Temes o tempo que te rouba o tempo, contradições!
São esses avanços e esses recuos sem metas.

É para ti que escrevo, ser de aflições…
Trazes no rosto a capa das aparências.
 No coração o ermo por onde fogem ilusões!
Nem vês que a tez se tinge ao tom das evidências…

Não passa de neve fria e gelada essa oscilação.
Tira o sono, cansa a alma, mesmo assim… Insistes!
Num percurso insidioso, alheado na negação.

Como te levar a sério? Se negas ao coração,
a leveza das manhãs claras e sempre finges:
Não reconhecer o amor em prol da ambição.




Atitudes vãs…

Hoje; sei que o tempo é a capa da dor.
Perdi há muito a impaciência dos dias.
O corre-corre da alma em aflito clamor.
Hoje; sei que o tempo revive em maresias!

Não me olhes sou um péssimo actor.
Senhora de mim; enfrento razias.
Coloco no instante a beleza da cor:
Mesmo que negra; também tem fantasias!

São todos os momentos; parte da estrada.
Se faz sol ou se chove faz parte do tempo.
Ao dia segue a noite e ainda há a madrugada!

Logo após nasce o sol que estimula o anseio!
Assim: na quietude da alma me aninho afastada:
De atitudes vãs; que enfraquecem o sonho…


Quem sou eu…

Quem sou eu?
Uma flor tingida na memória!
Umas vezes; de um verde deslavado p`lo cansaço.
Outras de um tom púrpura, pigmentado no sonho.
Há ainda aquelas em que estou pintalgada:
Com todas as cores do arco-íris!

Nem sempre retorno ao ponto de partida.
Envolta num manto cor de barro, tingida…
Nem sempre. Sei que o ventre é o auge da terra!
Que os campos em flor são a minha razão.
E as dores da vida são o sangue do chão.

Não hiberno no receio daquilo que há-de vir…
Nem na firmeza que a certeza é ínfimo aconchego.
Se volto atrás no pensamento:
Visto as cores do montado e parto sem destino.
A magia do virar da curva está na robustez:
Com que se enfrenta o impossível.

Quem sou eu?
Se trago pigmentada na mente a solidão!
Nas mãos vazias trago a esperança que me olha.
No peito os choros de quem se cruza no meu caminho.
Ou os risos que me iluminam de mansinho.

Quem sou eu?
 Tão vazia e tão cheia de tudo!
Serei por ventura a costela da planície…
Vagueio como o vento aos quatros cantos!
 Estou cansada… cansada de mim e de ti.
Sonho inaudito que o tempo teima em trazer.
Mas afinal; quem sou eu?

Esquecimento…

Saudades; do tempo em que acreditava que as borboletas eram eternas.
Ou que os raios de sol derretiam sempre o gelo da alma humana.
Nesse tempo deslizava pelas encostas da serra, descalça de artefactos.
Nos pés gretados pela força do barro, moldava a alma.
No canto dolente de uma voz ao sol por, aprendia a ser tudo o que queria ser…
Uma corsa em harmonia perfeita com a natureza!
Ou um velho ermita na alquimia dos tempos. Um riacho de água colorida;pelo reflexo do céu.
Acreditava mormente na palavra sem me atrever a questionar o sonho.
Tenho saudades desse tempo! Mas guardarei a melancolia para quando me sentir, pequena…
Na imensidão do esquecimento, alheio.




quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Outubro…

Estou aqui…
Permaneço na sombra do dia,
ou sentada no beiral das noites.
Espero pelo vento norte…

Outubro, ou airoso vermelho!
Quando as folhas verdes cedem…
 Tingidas de um ocre cor de terra.
Deslizam… Mortíferas pelo sonho!

Outubro, ou o princípio do fim…
Nos últimos raios de sol.
Já adivinho o inverno.
Inferno gelado na terra gretada.
As mãos enrugadas na cara gelada.
Quem vem lá…
Grita a alma cansada!
  
 Estou aqui! Parada.
Presa no pensamento!
Como quem não sabe
que o tempo só é tempo.
Girando…Girando; ao redor do sol…


terça-feira, 4 de outubro de 2016

Mulher de palavras

Não sei de mim, perdida num mundo oco.
Olho a televisão e não me perfilho em nada.
Leio os jornais e só vejo coisas de louco.
Olho em volta e qualquer cara está fechada…

Então porque dói? Se não me revejo no pouco!
Estranha pergunta na solidão desenhada.
Com tinta invisível e nem um grito rouco,
acordará o sentir! Anda perdido, sem guarida.

Incompreensível ilusão; palavras por palavras!
Que é de mim ou de ti? Que é de nós, afinal?
Quando numa hora assombrada por balas…

Morre uma criança sem rosto! Surreal:
São todas as incógnitas sem lágrimas!
E serei eu mulher de palavras num pantanal…