domingo, 4 de setembro de 2011

Nada mais

Nada mais quero que sentimento
Nas palavras deitadas fora
Não serão elas consentimento
No reboliço da vida fora

Nada mais quero…

Os olhares mesmo sombrios
São ventania que logo passa
Espuma na praia
Maré vazia
Tala de gesso
Amparando a alma

Nada mais quero…

Que andar em frente
Pelo chão ficam as mágoas
Nada mais são
Que farrapos soltos
Que se desfazem em pó
Cursor um tanto atrevido
Como no moinho as suas Mós.

Calmaria

O que é este pressentir aguado
Contrastando com espécie de farrapo
Que se chega

O que é o ímpeto de relance
Que me diz não é o que parece
Está tudo mal 

O que são dias e noites
Sem bravia tosca calmaria
Onde o meu espírito reclama

O amanhecer nos teus braços
Na manhã calma.

sábado, 3 de setembro de 2011

Agua e suor

No encontro com o eu
Encontro uma mistura solúvel
Um misto consolado de correr
Sem ser alcançado

Então o desencontro
Na procura insidiosa
Que me leva para longe

No retorno encontro
O eu encostado ao tronco
Que é o pilar empolgado

Do poema inacabado
Um misto de amor e fel
Agua e suor açucarado 

Penhasco

Juntos no subir compassado
O mesmo olhar por vezes se distancia
Logo ali o caminho abrevia
E o poema cai desfolhado

Edificam-se eiras
Por onde os sonhos levitam
Os sentires exercitam
Entre formas e maneiras

Mas são tão solitários
Ás vezes doem-lhe as chagas
Não são suas as mágoas
São operários

De sentires em construção
De penas, alegrias em muitas mãos

Os poetas são o penhasco
De onde a vida se joga sem relutância

Espera

Antevejo o teu andar apressado
As pedras da rua soltam suspiros
Até os pombos no telhado
Desprendem-se voando

O coração bate compassado
Sorri o dia que chama p`la tarde
Enrosco-me no sofá esperando

O som dos teus passos
Está mais perto
Subindo o degrau um beijo decerto

Galgando p`la boca o coração animado

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Escrita Trocada: «« Carrapatos colados na alma ««

Escrita Trocada: «« Carrapatos colados na alma ««: Vejo e revejo
E não me reconheço
Perdi-me em dia de vento
Perdi pedaços no tempo
Esqueci o endereço

E agora…
Onde larguei o meu ser
Já não consigo enxergar
Nas rugas que vão vingando
Já não consigo encontrar
Os trilhos que fui pisando

Olho-me sem ver, cismando
Não reconheço os traços
Que teimam em mostrar
As marcas da vida
Ao passar…
Os amores por amar,
As raivas por acalmar
Os medos que teimei
Em não mostrar

Marcas nuas de sentimento
Que teimam em vingar
Parecem carrapatos
Colados na alma
Manipulam o silêncio
Que quase sempre me embala
Extravasam em doloroso sentir
No meu intimo a zunir

Que sou pedra por moldar
Pedra dura a teimar
Rolar, rolar
Sem o tempo ver passar
Sem trave para me agarrar.


Apressado

Hoje deixem-me pousar a cabeça
Na ombreira da porta. Velha
De uma caducidade gritante
Persiste contra ao vertente
Onde o alumínio perdura

Que hoje possa descair o olhar
Sobre as letras tortas
Habilidade visionária
Breve e passageira. O condão
Desponta nas letras rasas
Tenho tanto que aprender
Na curvatura das costas
Que impelem o sondar

Porque hoje o Outono se avista
Quero olhar de frente o velho
O novo perde caducidade
Na falta de humildade
De um passo à frente das pernas
O velho arremata são lanternas
Que safam o apressado 
De um sonhar alpinista.

Palavras ao Vento Suão, Antónia Ruivo