terça-feira, 4 de novembro de 2014

Procura… Prosa Poética

Tempos houve em que o ser tremia, ignóbil sensação de perca,
descabelada rebolava sobre mim mesma, ânsia incontrolável num labirinto.
Onde todos os sentidos mergulhavam no irrequieto que é ´´ não controlar``
as tuas ambições…
Tempos houve em que à tardinha, sentada na soleira da porta,
onde o alpendre assemelha regaço, chorava… a ausência!
Em momentos propícios ao receio de perder.
Hoje, às portas de um outono pardusco vejo o quanto errei.
Não se cativa melancolia que não nos pertença!
Muito menos é utopia a dor em espasmos.
E agora talvez interrogues as gotas de chuva, que trazem à terra vida nova.
Que é feito de mim, que é feito da tábua rasa onde pernoitastes…
Dir-te-á a morrinha outonal - Procura por ela nas esquinas, nos montes e nos pensamentos.
Procura mas não te percas, na perca do que nunca aconteceu-...

Foto de Alfredo Cunha.



  

Perco-me de ti... Prosa Poética.

Perco-me de ti aos poucos, as recordações retidas nos socalcos da memória,
começam a ter a cor do bronze.
E os dias outrora tingidos pela condolência, escorregam agora nas teias da nostalgia.
Matreira vai e vêm como as marés.
Perco a tua imagem, o teu clamor… Dissipa-se a vida vivida na corda bamba.
Pergunto então ao vento que visita amiúde a minha vertigem…
   - Será a recordação, marasmo?
Será certamente água a correr p`ro mar! Teias de aranha que envolvem como véu…
Ou então… será o ar que leva ao coração uma nesga de sonho!
Perco-me de ti aos poucos e na demanda acabarei por perder parte de mim,
aí mendigarei por nenhures, levarei encrostada na alma a ternura,
e quando dormir finalmente no aconchego do barro, escreverei com o branco da cal.

Só assim a memória valeu a pena.

domingo, 2 de novembro de 2014

Repouso...

Rebolam as pedras pela ladeira,
Depois da canseira ao subir!
Rebolam as dores, os risos
Os partos adiados.
Até a vida, rebola.

Rebolam os sonhos
Em dias seguintes,
Ironia em matizes
Que adornam os dias…
Vejam bem!
Tudo rebola depois da subida.
E a sorte repousa na cova mais funda,
Onde a terra se atreve a dormir.

Não reboles tu no tempo que é teu.
E assim desperdices pouco mais que nada,
Pequena fortuna que ao nascer herdaste…
Não rebolem aparências perdidas no ego,
Nem aflição no coração escondida.
Assomo fantasmagórico que impões
Ao mundo em redor.

E assim no buraco mais fundo,
Onde a terra repousa,
Encontres paz e a saudade p`ra trás,
Faça de ti deus… Sem pés de barro.




Estranha Paixão no Youtube


sábado, 1 de novembro de 2014

Corro...

Falta a outra metade.
A que está colada na alma
E se transfigura em partículas,
Tão finas, tão finas,
Que circulam no ser…

Falta um tempo
Na ausência de mim.
O sorrir que tanto me larga,
Até o chorar me falta
Num espaço sem fim…

No entanto corro
Atrás do vento!
No entanto grito
Na alvorada!
É que a esperança dobrada
Em dias estivais,
Traz ao meu âmago o crer

Num amanhã de paz.

Palavras ao Vento Suão, Antónia Ruivo