domingo, 16 de outubro de 2011

Que a musica

Que a música traga a paz que os poetas desconhecem
Que traga com ela uma ponta de estrela
Uma partícula de uma constelação longínqua
Que a música me embale, me estique os lençóis
Me diga boa noite. E amanhã…
Traga a força ensolarada deste Outubro em chamas
 E o sol, o sol penetre as janelas da alma
Que a música traga o som da harpa
Nas mãos de uma criança curiosa
Traga com ela uma guitarra, na voz cansada da minha mãe
Que cante um fado
Embale, traga de volta a esperança
De ser criança.

Que a música traga a força, e livremente
Me sacuda ao alto…
Ao cair feito em pedaços no frio asfalto
O meu corpo cansado sucumbirá
Percorrendo um clave que abrirá
O fosso da alma onde pernoito
Por fim… um novo poema renascerá!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Conta-me

Conta-me…

Conta-me uma história de amor
Estou cansada de histórias sem cor
Do frio dos olhares vazios
Dos passos corridos que galgam
Sonhos, passam por eles e não vêem

Conta-me, mas não uma história qualquer
Recorda a infância, volta a ser criança
E sonha com histórias de abismar
Quem sabe um sonho em corcel
Traga num repente uma nesga de céu
Se levante o véu que pende nos olhos

Se transforme em molhos e raízes
De dias quentes e felizes
Conta-me uma história de final feliz
Estou presa numa rotina inquieta
Estou presa no rosto que diz
Porque passas por mim a correr

Vem, conta-me uma história quero acreditar
Que serei sempre capaz de sonhar
E que tu, estarás comigo nesse deslizar.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A vida acontece

É nos instantes mais simples que a vida acontece
Naqueles momentos onde o dia pára e o caminho
Alarga além do horizonte, o dia parece um ninho
Fixo no alto de uma oliveira e tudo esvaece

As dores ficam perdidas num mar azulado, síntese
De pedaços de mim e de ti flutuam em arminho
De uma transparência sublime, devagarinho
O dia termina a noite povoa recantos enaltece

Assim acontece quando os sentidos se soltam
Quando o caminhos paralelos nos empurram
Pelo limiar de sensações e a tranquilidade

Se apodera dos corpos sem mancha ou vaidade
Assim acontece quando o dia não concede
Ao tempo que corre um trote ligeiro que excede

domingo, 9 de outubro de 2011

Juízo


Porque as mulheres esta semana alcançaram o reconhecimento, de uma academia muitas vezes retrógrada na atribuição dos prémios, o fruto do seu trabalho e da sua luta pela igualdade entre pessoas em países muito difíceis onde o preconceito e o racismo imperam, onde o medo e a morte reinam de mãos dadas foi finalmente reconhecido. Parabéns a todas as mulheres de lutas justas pela humanidade. Todas nós, mulheres, assim como todos aqueles onde a voz é ou tenta ser silenciada nos quatro cantos do planeta, fomos todos galardoados esta semana com o prémio Nobel da paz.

Compreendo...
O quanto é difícil empurrar padrões
 Dizem nem todos nasceram para pensar
Compreendo...
Não aceito o desperdiçar
Do respeito
Compreendo!
Tudo o que é velho tende a caducar
Então de que vale persistir no retrógrado?

Será o medo a falar mais alto
Será a falta de tacto
O machismo atrofiado e indigente
Será a ganância
Ou então a falta de visão
De valentão em extinção

Compreendo um pouco de tudo
Muito menos que queiram mudo
O outro...

Pode ser mulher, ou homem
Criança ou indigente
Pode até ser demente
Mas é gente

A igualdade é direito
Não é oferta

Se achas que sou obsoleta no meu raciocínio
Tenho pena de ti estás exposto ao extermínio

Mas dormes tranquilamente à sombra do teu juízo.

 

sábado, 8 de outubro de 2011

Precisava


Precisava de morrer
Para nascer de novo
Talvez assim o pouco
Se tornasse muito
Ao meu olhar moído
Precisava de morrer
Para aprender a rir
Não ter medo de partir
Engrandecer
O pouco que fecho na mão
Me escorre aos pés feito quinhão
Por merecer

Precisava de morrer
Para conseguir ver
Além de mim mesma
Lesma
Assim é o pensamento
Indolente
Que não compreende a grandeza
De nascer
Para que um dia qualquer
Ganhe o direito de morrer

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Tristeza

Tristeza palavra ingrata
Estou triste sei lá porquê
Ou então porque estou vidrada
Naquilo que não consigo
Estou triste mas não é contigo
É apenas uma agonia
Querendo arruinar o dia
O sol está encoberto
E a tristeza cobriu meu teto

Ou então
Está triste o meu coração
Que tristeza o parvalhão
É tolo vive feliz
Tristeza aquele infeliz

Tristeza palavra fácil
É usada de modo táctil
Para chamar alguém de tolo
Ou então servir de consolo

Quando temos pena de nós
Outras vezes é pilar
Onde acabamos por atracar
Um moinho de muitas Mós
Que acaba por malograr.

sábado, 1 de outubro de 2011

Esperança

Há dias em que preciso de um abraço
Mas ninguém parece reparar
Preciso de um sorriso amigo
De um ombro onde me aninhar

Há dias que preciso de palavras doces
Esta fartura caricata de palavras antevistas
Num tempo impetuoso de contas previstas
Preciso muito mais que números cancerígenas
Estou farta, estou cansada de palavras ocres

Preciso de um colo, de um contar de historias
Que me façam rir de mim mesma
Tenho saudades de quando se ria
Com prazer sem medo a doer
O riso que não era preciso esconder

Como se rir fosse pecado de mente destravada
Está tudo tão opaco, tenho saudades
Das conversas à lareira, das tardes de soalheira
Dos meus tempos de criança
Tenho saudades de quando acreditava
Se um amigo se encontrava
Era p`ra sempre, no sempre das tardes
Alguém chegaria com um braçado de esperança.

Palavras ao Vento Suão, Antónia Ruivo