terça-feira, 7 de outubro de 2014
Nem sempre...
Complacente vem
a aragem de um dia sem nome
No mosto da
boca o murmurar da fonte
Seiva de
vida tingida de dourado que é triste
Mas mesmo
assim benévolo.
Nas mãos uma
pomba de esperança
No nome
liberdade,
Autonomia do
querer aliada ao crer,
Simplicidade.
Do teu rosto
moreno descai o olhar
Poisa em
mim, ansiedade…
Nas maças do
rosto areal distante,
Sem oásis de
fruta madura, cheiro a alecrim
Enfim.
Nem sempre o
inferno perdura
Num olhar
faminto.
Quase sempre
a história é triste
Nuns pés
descalços,
Quase sempre.
Foto Alfredo Cunha.
Surpresa…
Se trazes ao
meu peito o aroma do jasmim
Num sopro de
uma manhã a despontar,
Ou então o
suave murmurar
Da água que
corre pelo campo em festim…
Se no fundo
dos teus olhos vêem crateras,
A imensidão
de um deserto ao luar.
Atreve-te
nessa força a desbravar
Enfim, traz
o desconhecido e sacia a almas…
A minha e a tua,
só assim encaro o veredicto,
Ao entrar pela
janela entreaberta.
Estranha noite
de luar onde o grito
Que cortava
o coração caiu por terra!
Trazes o
infinito, será que vem para ficar
Ou apazigua
um coração impaciente.
Ânsia tresloucada,
surpresa ao encontrar
Nos teus
olhos um sereno convincente.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Perversa
Porque me
chega no murmurar das folhas,
Na candura
de uma tarde de Outono,
O eco frio
das algemas, de uma alma sem asas.
E por entre
o cair da noite um rumor a abandono?
E nesse
instante as folhas amontoadas
Aos meus pés
gritam em coro. O seu a seu dono…
Finjo,
simplesmente finjo… São águas passadas,
Telhados de
vidro de um rei sem trono.
Como eu
queria ser formiga… perversa
É a mente com
desejos amontoados.
Tudo porque na
vida os sonhos são adiados.
Perversa é sorte
de um Outono sem chuva.
Perverso o
rumor que me serve como luva,
Enfiada das
avessas de dedos esburacados…
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Do outro lado...
Se eu agora
falasse de amor
Diria o teu
rosto,
Numa cantiga
vadia o teu gosto
Não ignorava
as tuas mãos,
Areias
movediças no meu colo.
Traria ao
papel os teus lábios
Sob a nudez
do meu seio.
E nas linhas
o rodopio do sentir.
Se agora
falasse de amor
Empurrava o tempo,
Noite
dentro, dia claro.
Nas janelas
ante abertas
Da alma
cansada.
Dos teus
medos… meu anseio
De mulher…
sobretudo falava de brisa,
Ligeira,
como ligeira é a sorte,
Ali, do
outro lado do tempo!Pé ante Pé...
Recuso as pedras da rua
Unidas entre
si pela terra fértil.
Ignoro a
lágrima brotada
Sob os pés
que pisam a calçada.
Estéril a
minha crença!
Por ventura
desconheço
Esperança.
No cair da
tarde, maruja memória
Logo de
manhã, indiferente a estória,
Enquanto vasculho o alheio ausente…
Tenho nas
mãos o presente
No sol que
me sorri.
Ele ali vai…
Um pé
adiante, outro atrás
Afugenta cansaço,
Sem desembaraço.
No rosto
Alentejo
Nas mãos
saudade,
Sei que olvido liberdade…
No tampo da
mesa repousa a chávena,
De um café
negro,
Nas pedras
da rua passa alheia
Uma brisa
ligeira,
Pé ante pé
empurra a morte
Numa pasteleira.
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