domingo, 21 de maio de 2017

Vila Viçosa (Décimas)

Mote ( Sr. Venâncio)
                                            
Com artes e culturas
À história pertences
Grupo de enormes figuras
Ilustres Calipolenses

I
De branco anda vestida.
Princesa, menina, mulher!
Em pétalas de bem-me-quer.
A sua beleza é vivida.
Em mármore é pedra esculpida.
Berço de honrosas bravuras.
Na ponta da espada, lonjuras…!
Dando ares a laranjeira.
Vila Viçosa é pioneira:
Com artes e culturas!

II
A sua herança é de mestre.
No rol tem doutores e pintores.
Foi até berço de nobres.
Valentia que enaltece.
Em memórias que reparte.
Nas ameias do castelo.
Os papiros são novelo.
Que me deixam a cismar:
Este cunho é de encantar.
À história pertences…

III
Donzela de olhar trigueiro.
Airoso traje a rigor.
O laranjal em flor;
é pajem namoradeiro!
E se o tempo é passageiro,
o sol é calmaria.
Meus amigos quem diria!
Ergue-se das calçadas o grito:
Vila Viçosa é talento.
Grupo de enormes figuras!

IV
Aqui; nasceu Florbela.
Rainha da poesia!
O seu dote é nostalgia.
E há muito que é janela.
Seus versos são a ruela
Porta de entrada do mundo.
Mas que legado fecundo.
A par com o Passo Ducal.
Estandarte de Portugal.
Ilustres Calipolenses!





quinta-feira, 18 de maio de 2017

Sol de Verão...

Hoje olhei uma nuvem no céu e vi o teu rosto!
Sereno e gentil, como, só tu sabes ser.
Nas asas do vento senti o teu cheiro,
e nas flores amarelas que matizam as cearas,
o teu sorriso aclarou o dia.

És a rocha que ampara o cerne do ser.
És o chão ou o rio, meu bem-querer.
És o amor e o sol de verão.
Se até nas lembranças, tu és a paixão.

Que ilumina os meus passos.




terça-feira, 25 de abril de 2017

Rubro querer...

Se em todos os cravos vermelhos,
 a memória fluir tranquila.
Os sonhos jamais serão velhos:
Se gravados na alma em rubro querer.

De que importa cravos vermelhos,
quando a esperança é uma criança,
raio de luar ou mudança…!

Lá atrás um novo rumo…!
Será dos netos a herança,
a bitola o fio-de-prumo.
Já que Abril é confiança!

Acredito no futuro.
Deixo aos cravos as dores de parto,
E as vontades a cumprir…

Deixo aos cravos o sorrir…!
Ao romper da madrugada.
Portugal o meu sentir:
É bandeira desfraldada!



domingo, 23 de abril de 2017

Fogosa magia…

Circula no ar uma fragrância a verde pinho.
Será pele morena ou gosto a fruta madura.
Rodopia então este sentir e já adivinho…
Que a paixão pode ser luz e é cisterna!

Sublime constância ou largo caminho…
Traçado na areia sem temer lonjura.
E se a cacimba se abeirar de mansinho…
Que traga no seio uma réstia de ternura.

Já que este sonho… tão antigo: rodopia…!
Que mais parece o voo de uma borboleta.
Nas suas asas um sorriso, fogosa magia.

Utopia em vocábulos ao romper do dia.
Esperança presa nas asas de um cometa…
À espera dos teus olhos…A minha nostalgia!





quinta-feira, 13 de abril de 2017

Tempo de Páscoa...!

Assegura que o amor é mais que palavras.
Que é força e é crença… Muita sabedoria.
Aqui te peço que as lágrimas brotadas.
Sejam um manto de esperança e de alegria.

Eu sei que as palavras há muito estão gastas.
Assim acontece ao presenciar a razia…
Que o homem semeia em cearas vastas.
De fome e de dor … Infame ventania!

Neste tempo de Páscoa que a Tua Paixão…
Se transforme em vida, num mundo melhor.
Mesmo que os homens cismem na negação:

 Jesus, eu te peço… Desvia qualquer dor.  
Dos povos que morrem na segregação.
Das guerras ao longe e na falta de amor.  


terça-feira, 11 de abril de 2017

Sonhos sem limites...

Até na contemplação das estrelas:
Desenho os teus olhos a tinta china.
E era vê-los… Era vê-los como velas…
Encabeçar o sentir p`ra além da colina.

A Ursa Maior… rainha das caravelas,
é tão antiga mas parece uma menina,
ao pé dos teus olhos…! Até os cometas
correm sempre apressados e era vê-las…

As lembranças, a bailar numa só noite.
Em que o céu beijou a terra, atrevido.
Em que o vento suave e em deleite…

Abriu as asas, sempre convencido…
Se os sonhos erram sem qualquer limite.
É porque o tempo é um marco estabelecido


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Caminho cego…

Vento…!
Tu não me grites.
Nem me apontes encruzilhadas…
Se o caminho é em linha recta.

Deixa que caia… e arraste a lama.
Atrás dos meus passos.
Deixa que risque em rasto cansado:
As notas de um fado.

Pode ser triste, pode ser cego.
Pode até adormecer sem luz ou sol.
Mas… é o meu lençol.
O qual; não renego.

Não me grites:
É esse o caminho…
Não:
Quando em profunda escuridão…
Sei que existem pirilampos!


sábado, 25 de março de 2017

Águas paradas…

Trago sempre no peito subtil imagem…
Mesmo que seja frio o pensamento.
Deixo a porta entreaberta à aragem.
Embora me perca nesse alheamento…!

Se todas as horas podem ser miragem…
E até no deserto existe um catavento.
Deixo aos dias a força, mesmo selvagem.
É o sonho quem impele qualquer momento.

Repara nas nuvens, como são escuras!
 Mesmo assim… o sol afasta as mais sombrias.
Por isso; deixa que o coração fale mais alto.

Olha em frente, não é qualquer planalto
que corta os laços. Já que é o pensamento:
Quem sobrevoa as águas, se estão paradas…




sexta-feira, 24 de março de 2017

O mundo enlouqueceu…

Deixa-me às minhas ilusões…
São o trampolim além do nada.
O mundo está repleto de papões…
A humanidade é uma criança abandonada!

A morte baila em cada esquina!
Mesmo à luz do dia.
A terra está oca e vazia.
Deixa que me enrosque, agastada.

Só quero dormir, mas até o sono é indevido…!
Deixa os meus erros são iguais aos teus.
Deixa os dos outros, são como os nossos.
Não percas tempo dá tempo ao sonho.

Já que o mundo enlouqueceu.


quinta-feira, 23 de março de 2017

O amor e a perfeição…

Presa naqueles dias…
Em que a busca das cerejas
lembra a madrugada.
E todas as estradas são roseirais.
Ou laranjal em flor.
E o sonhar é a pedra bacilar
numa estrada de terra.
As quimeras são todos os beijos ao luar.
E o amor é a perfeição.

E a interrogação…!
Se os beijos são luar.
As estradas roseirais.
E o amor a perfeição.
Porquê…
Se anda no mundo em contramão!




Musa...

Beija-me as mãos, mas em silêncio.
Não acordes os sonhos no seu clamor.
Atreve-te depois pelo compêndio…
Que é o meu colo… uma simples flor.

Aflora o meu rosto mesmo vazio.
Onde as rugas espreitam sem pudor.
Concentra-te nos lábios, tremem de frio!
E deixa aos olhos inquietos o sol-pôr.

Desliza pela madrugada até que o dia…
Traga nas suas asas todos os beijos.
Deixa ao sol a claridade e a magia.

Que embala e acaricia os corpos.
E não digas nada, repara na maresia…
Será ela a musa dos anseios inebriados.




O calor da chuva...

Depois de olhar o espelho, que me atrevo…
Pelas pedras da calçada, que é a vida.
Estará um rosto espelhado no céu, um enlevo…
Ainda assim: o silêncio em redor deixa-me dividida.
Se eu amar, ou, não amar, se falar, só por falar…
Se chorar, e mesmo assim no fundo da alma…
Despertar as gargalhadas ao jeito de bandolim.
Quem desvenda a minha saia rodada.
Pintalgada com as flores do alecrim.

Inercia interrompida é a troca de palavras…
Correm sobre os ombros e vão cair no regaço.
Destemidas, pelo caminho trocam as voltas…
Aos escombros… infligidos p`lo cansaço.

E se mesmo assim:
O espelho não trouxer um rosto.
É porque a terra, não é terra e as pedras são muralha.
Oscilando entre o silêncio e o grito esbaforido.

 Anda à deriva o coexistir do sonho e do sono…
E o tal rosto, lá está… perfeito, por entre os dias!
E o meu crer é inercia até ao brotar do mosto.
Não faças caso. Só os poetas sentem o calor da chuva.
Enquanto a alma vagueia pelas nuvens frias.



Intempéries…

Ah …! Dúbia espinha enterrada no peito…
Saltitando de eira-em-beira, presa
por um fio, tão fino… Tão fino e exposto…
Às intempéries, onde… A chuva é fresa.

Ou é a pedra fria moldada no desejo…
Sinto os ferimentos na rua gelada.
E mesmo assim, sei que por vezes invento.
Trovoadas e relâmpagos, e a tormenta…

Não é a consciência daquilo que sou.
É onde quero ir, e quem quero levar.
Se até nas ondas do mar se levantou…

A espuma que teima em ficar, mas cegou:
Os seus olhos, e o reflexo só veio, afirmar…
Que o vento por breves instantes amainou!


quarta-feira, 22 de março de 2017

Foi de lá que vieram as vacas loucas...

Da Holanda chegaram as vacas
Que depressa enlouqueceram!
Na Europa: espreitavam as dívidas.
Pasmem-se!  Até pagaram para não comermos!

Deixamos de plantar, neste país de sol…
As batatas foram ao ar acompanhadas do grelo...
Logo a seguir, o pescado e a indústria morreu…
Os milhões eram o rol... No brio que se (escafedeu)…

Atrás disto: a corrupção aproveitou a maré…
Enquanto o povo, crédulo, abençoava a ralé!
Foram milhões e milhões… Durante anos a fio!
Os juros sempre a subir e lá se ia o Brio…
Muito alcatrão e betão… Até, que secou o rio…
Como é triste a realidade… Venderam-nos ao deus dará…
Agora; pedimos por cá...
E a grande verdade... A seu tempo fugiu a paz!
Está escrito a vermelho e a bebedeira é insónia.
Não produzimos o que comemos e agora… Chora…
E embora apontem em jeito de xenofobia…!
Por entre copos de vinhos, azedo, está a razia.
Andou tudo embriagado, enquanto, o dinheiro se (escafedia)…  




Putas e copos de vinho...

Disse o homem em tom alarve
Ao sul é tudo artola
Vão às putas e bebem vinho
E depois só pedem esmola.
O vinho… Até aceito
Nesta comparação
Quanto às putas, é preconceito
Xenófobo e sem visão.
Mas já que a Holanda é um país
Densamente povoado
E já ninguém contradiz
O facto está comprovado.
Numa Europa despovoada
Sendo o sul uma catástrofe
Mas porquê a algazarra
Só porque o Dijsselbloem é um traste?
Se até muitos de nós
É lá que temos abrigo
Já que por cá não há Mós
Nem moinhos, só há castigo!
Sem me alargar nos números
Que por cá são derramados
A azia soa a furúnculos
Há muito confirmados.
Nos milhões que voam no vento
Sem se saber para onde vão
Sim, são cata-vento…!
E o povo só pensa em perdão.
Vamos lá esclarecer
Já que está tudo zangado
O homem tem certa razão
Por cá, é tudo esbanjado
Mas ao contrário da Holanda
A saúde está uma merda
A educação uma trampa
E as finanças à descoberta…!
Então, onde está a cólera
Contra o tal mafarrico
Se a Holanda é tão pequena
Mas é um país rico.
Como exemplo, perfeito
Daquilo que disse atrás
Dijsselbloem é um defeito
Mas a Holanda, está…
Ao nível da Corrupção
Do melhor para o pior
Senhores na comparação
A Holanda é a melhor
Está no quinto lugar
Nos honestos deste mundo
Mas por cá é de corar
O vigésimo oitavo lugar — diz tudo!
E logo abaixo de Portugal.
Os números não sabem mentir…
Eu sei que calha mal
E o melhor é fingir…
Cabo Verde e S. Tomé
O Brasil e Moçambique
Timor-Leste, a Bissau que é Guiné
Angola, e a Coreia do Norte.
E para terminar o rol
Lá aparece a Somália
Até parece que o sol
É culpado da indumentária!
Perante a constatação
Até dou por mim a pensar
Com tantos a meter a mão
O bacanal é altar.

Entre putas e copos de vinho
As metáforas são perfeitas
Sendo o Dijsselbloem um anjinho
Ao lado dos nossos proxenetas! 


Não sei...

A audácia com que a dúvida assola…
Assemelha-se a greta aberta na rocha.
A lava incandescente é esta ideia…
Impecavelmente banal e irrisória!

Triste pensamento que habita a floresta…
Circunscrita por pântanos sem giesta.
Só o vento é companhia e é funesta:
A indecisão que rebola numa lágrima…!

Quem és tu… se não me vês além de ti.
Quem sou eu… se definho sem olhar.
E o amor; será só um sopro, ou despertar.

Não sei… e será que tu ainda sabes cantar…
A balada que embala a alma ao passar.
Já que eu não sei, sequer… aquilo que vi.




terça-feira, 21 de março de 2017

Tentação...

Adivinho, sim...!
Enquanto o sol,
Confia às nuvens o traço 
do teu mosto.

Deixaste de ser um vulto…!
Nas ameias da minha mente,
és néctar que alimenta e cintila,
ao nascer do dia.
Até nas gotas de orvalho…
Procria a ânsia de ser.

Mas é de noite:
Que a mente procura…
Deixando aos pirilampos,
O traço do teu corpo.
A frieza da escuridão,
exibe em delonga,
o sonho.
E os teus olhos…
São; iluminaria!
Tentação…!
Por te saber.
Sem que o dia se atreva…
A ser.



sexta-feira, 17 de março de 2017

Sono...

Na ponta do meu olhar… Um ensejo!
Amparado pelo medo de estar só!
Eu sei…! Mas não quero e a seguir vejo…
O momento fingindo não ter dó.

Ao longe a música de um realejo.
Chega vazia, arrastada no pó…!
De um livro. Mas as letras… Já não vêem!
São os meus olhos, só querem fazer ó-ó.

É meia-noite, já são horas de dormir.
Em redor o silêncio é frio e assombroso.
Ao longe… Aquele cão continua a latir!

O seu ladrar chega num eco malicioso.
Agora: o momento está mesmo a sorrir!
Só o sono paira no tecto, o vaidoso!

( Poema já publicado e corrigido a 17 de Março 2017, dia mundial do sono.)


quinta-feira, 16 de março de 2017

Ousadia…

Eu sei que espero enquanto a vida pende…
Para os lados do sol-posto. Espero por ti…
No resguardo das ilusões, assim se estende,
a calmaria das horas e até penso… Já morri!

Na brandura dos dias só a alma entende.
Uma ilusão dúbia e esguia … Que só eu vi.
No ondular do sentir que o olhar prende,
ou no verde da esperança que antevi…

Num gesto de fruta madura está o condão,
de prender o olhar… Alfineta com ousadia!
Até, em palavras singelas se estende a mão!  

Mas tudo corre… Grita a noite: Quem diria…!
Que os dias passam e as asas são só ilusão.
É nela que enfraquece qualquer ventania.