quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Ai de mim...

Deixa que adormeça na terra árida.
Que o tojo seja o cobertor dos dias frios.
A aurora seja o sinal que a alma aguarda.
E o vento o companheiro nos baixios.

Deixa… já que a vida é curta e ávida.
Na aridez quase nunca faltam estios.
Não sei se é de mim ou da jornada.
Invento salgueiros, invento os rios!...

Mas a água é salobra, não mata a sede.
Aquela que trouxe ao nascer… Ai de mim!...
Invento as margaridas sem ter jardim.

Deixa que adormeça… começa assim…
A cantilena que a ninguém convence.
Enquanto o relógio anuncia que anoitece.




domingo, 3 de dezembro de 2017

Emergente...

Vesti um vestido de chita e nos pés  
calcei a vastidão e a cor das planícies. 
Mas quem sou, afinal? Serei gente, 
campo, ou o ar que vagueia, devagar... 
  
Sou pedinte em terra alheia, cão de guarda!... 
Sou a estrada em que passeia a ilusão. 
Campanário ao por do sol, a maresia. 
Dos dias de Maio. 
Sou mulher…. Irrequieta! 
Até quando quieta! 
Frustração, contradição e até amor, 
quando a dor se sobrepõe ao coração. 
Sou riacho e sou palavra. 
Sou a safra em poesia, sou vazia!... 
De emoções. 
Contradições em dia não. 
Se até o não é paixão! 
  
Vesti um vestido de chita amarela.  
Na bainha desenhei uma caravela, 
e no decote despido de cor; 
o clamor do por do sol! 
Amanhã calçarei uns sapatos cor de terra. 
Seguirei por aí sem norte!... 
Para trás fica a sombra do fim de tarde. 
Nos olhos ficam os pingos de chuva. 
E no pensamento o vazio dos dias frios, 
será lençol. 
Estranha maneira de estar, 
de ver ou de sentir. 
Sou poeta e sei mentir. 
Agora: adivinho esse olhar, 
e aquilo em que está a pensar… 
Enquanto… Começo a rir!... 
  
Dois e dois são três. 
… Brinco com a palavra. 
Mas que safra… Sem pés nem cabeça. 
E tu…. Lês! 
Lês em viés o meu pensamento. 
que a qualquer momento, 
me torna um ser, emergente.  



sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Os sonhos chegam nas trindades…

Em qualquer canto ouço a voz dos dias!...
Traz ao de cima as fantasias.
Mas qualquer canto ensurdece o vento.
Mesmo que o intento possa ser lamento.

Sei de cor as pedras da rua!...
Assim viesse a saber as nuvens do céu.
Reconheceria na noite escura;
pedaços da alma, amor errante.
Faria do tempo aliado
e das ambições caravelas.
Pintaria o rosto, o corpo,
de barro vermelho.
Dançaria nas vielas!
Os sonhos chegam nas trindades.
Ao raiar do dia uma cantiga.
É o vento a chorar nas ramagens.
São os meus olhos as margens.
E as mãos… Coisa nenhuma!

Que coisa é esta, que ambição.
Desejos  em safra, um dia, vão!...
Nas asas do vento em desalento.
Enquanto; emudeço (…)



quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Repara no amor...

Não deixes que morra em mim o arco iris.
Apetece-me por vezes gritar em lamento.
Desisto!... E se tu nem sequer me ouvires.
E assim o meu grito se perca no vento.

E o vento!... Ai o vento… Rodopia em ais!...
Leva nas asas o que resta ao tempo.
Enquanto o sonho se desfaz, sem mais…
E a vontade se apaga sem argumento.

O que tu não sabes é que o sonho é cor.
Mesmo andando apressado; é motor.
Um azul anilado que alimenta o olhar.

Por isso; mesmo que passe sem passar…
Repara que o vento insiste em chamar:
À ilusão, nostalgia… Enquanto sussura, amor!



domingo, 22 de outubro de 2017

Máscara...

Sempre que adivinho a solidão alheia…
É como se o espelho estivesse embaciado.
E o meu rosto sugado por uma teia.
Sempre que a olho sem caso pensado.

Reconheço!... Tal como a abelha a colmeia,
avisto o vulto num penhasco parado.
Vai, ou, não vai… Se até a maré quando cheia;
se desfaz em espuma em qualquer rochedo.

Triste fado que embala no tempo presente.
Como embala a lumiaria a noite escura.
Anda o gentio tão só e sempre ausente!

Triste de mim!...Sem tempo, indiferente.
Quando só resta aos dias esta secura.
E ao rosto sobra a máscara, eternamente!

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Um poeta é visionário...

Agora; o que é ser poeta?
Mas que tola fantasia!
Se o Poeta foi cometa...
Não temeu noite, nem, dia.

Andam os poemas emproados, em rodopio infernal...
Perdidos de lado em lado, alheios ao eco!
Vestidos de amor e vintém, ignoram lágrimas de sal.
Como patrono o mito: antes melhor que mal!...

O que é isso de ser poeta, se me é permitido:
É cantar ao enfrentar um vendaval!...
À dor não fechar os olhos, da morte, não esquecer o sentido.
Olhar em redor,  sorrir. Sorrir ao chorar e gritar:
Calem-se!...

Ser poeta  em Portugal:
Não é ser cego, nem surdo, quando, algo vai mal.

Se ser poeta é vestir uma capa de brocado,
bordado a azul celeste. Que pecado!...

Tolo chapéu de bicos, amasso sem dose certa.
Não despe; nem se atreve a olhar o gemido que vem da rua.
À mistura, lamechas... Mas que vida é a tua?
Perguntam as rimas incredulas, assomando ironia:
O que é isso de ser poeta?

Criatura; olha a vida com olhos de trovador.
Rodopia no presente, pinta o futuro de cor.
Das letras faz estradas e dos pontos caravelas.
Aos becos rouba a dor e não temas as vielas.
É isso que esperam os versos... Se me faço entender:
Um Poeta é visionário e faz sem pretender.



quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Mulher atrevida...

Mulher atrevida…

Não sei se é sonho ou se é esperança. 
É um sentir agreste, uma força viva. 
Até quando dorme pode  ser criança. 
É crença impulsiva de branco tingida. 

É remoinho sempre em contradança! 
O que faz de si, mulher… Atrevida. 
Esvoaça p`lo tempo, procura bonança 
Mas só encontra uma voz esquecida. 

Sim!... Tem dias que é louca varrida; 
num palco sem luz acaba por ver o sol! 
Que aquece a alma quando está perdida.  

Não sabe que tempo é este, que paiol
Aparenta o mundo já não ter saida. 
Mas ela se atreve e faz da fé lençol!




domingo, 17 de setembro de 2017

Ser poeta é utopia...

Não sei, nem sequer sei a cor dos dias frios! 
Se o céu é azul ou cinzento afogueado.  
Nada sei de efémeras fantasias. Delírios; 
são as rimas de um poema recalcado! 

 Ser poeta é utopia, ventania nos socalcos! 
É a lagrima atrevida num rosto enrugado. 
O sorriso amarelo; ou o peso, os sopapos 
que se abeiram de um corpo já cansado. 

 Não sei!... Mas, no entanto, também sei!... 
Que os versos são remendos coloridos. 
Caprichosos, insidiosos e divertidos. 

São até um peso fuinha nos sentidos!  
São as ondas onde um dia naufraguei... 
Uma colcha de cetim onde me deitei. 


domingo, 20 de agosto de 2017

Silencio…!

Reina, invisível… Nem as paredes sabem
 a cor. Ou o cheiro do seu eterno bafo.
São tantas as nuances que não cabem
na casa desventrada… subtil e cálido!

Não, não são temores… nem aragem!
Muito menos instante… renegado.
Pode ser a planície ou a até a margem
de um ribeiro, rude, sempre tresloucado.

Procura por mim… Mas finjo não ver.
Tal como a terra: faço dele mortalha!
É o meu vestido de baile. Que fazer?

Se o silencio é irmão e é sempre canalha.
Veste-se a preceito sem qualquer prazer.
E faz da solidão um campo de batalha!                                                        



quinta-feira, 22 de junho de 2017

As consequências que o Incêndio de Pedrogão Grande; podem trazer para o turismo a curto prazo.

Portugal na última década assumiu-se decididamente como destino turístico de qualidade.
A estratégia desenvolvida pela apresentação dos pacotes por parte da indústria e o empenho das Regiões de Turismo e dos seus dirigentes, assim, como, o papel preponderante dos Municípios: fomentaram a convergência necessária ao desenvolvimento do sector, tornando-o naquilo que conhecemos e conseguindo elevar o nome de Portugal muito acima das expectativas de alguns.
A planificação estratégica fez com que conseguíssemos numa década transpor a ideia preconcebida, de, que, tudo o que tínhamos para oferecer ao turista estrangeiro era a nossa linha costeira, destacando-se na oferta o Algarve que lentamente se foi alargando à Costa Alentejana e só mais tarde à restante área costeira. A Madeira e os Açores há dez anos atrás já estavam integrados nas rotas turísticas de eleição.  
Em 2016 o sector criou 45 mil empregos e teve uma receita de 12,6 mil milhões de euros, vendo, assim, duplicada a receita obtida em 2006, nesse ano, Portugal facturou 6,67 mil milhões de euros.
Em consequência das medidas tomadas: alargou-se no espaço de uma década a área de oferta e procura, levando, a, que, o fluxo turístico se alargue aos 365 dias do ano, com destinos diversificados e abrangendo a totalidade do território nacional.
Perante tudo isto: devemos a partir da Tragédia de Pedrogão Grande, começar a ter em conta, as consequências que o péssimo planeamento do território poderá trazer para o país, a curtíssimo prazo, se, a desorganização reinante se mantiver em futuras, possíveis, tragédias.
Temos que ter em conta a era em que vivemos, há muito que os destinos das nações: não se limitam quase exclusivamente ao que se passa dentro das fronteiras de cada país. Já é do conhecimento de todos, que, o mundo com o avanço da tecnologia tornou-se numa aldeia global, e as más, assim, como as boas notícias, por vezes, antes de terem eco cá dentro, já o tem no exterior.
Se todos pensarmos com clarividência a indústria do turismo, neste momento, sobrepõe-se a uma outra qualquer indústria nacional. Quase tudo o que consumimos nos chega do exterior. E o mesmo acontece aos bens que a indústria das celuloses faculta.  

Já que: Os governantes nas diversas medidas adoptadas, assim, encaminharam o curso de Portugal, e, a cada novo incêndio muito se fala do interesse económico à volta da celulose, atribuindo a inexistente reestruturação florestal, a esse mesmo interesse económico, que leva a um atraso institucional e decisivo de 14 anos, alargado a todos os governantes, desde então, e deixando para trás os incêndios florestais, anteriores a 2003, e, tendo em conta: a quantidade de vidas humanas perdidas e a extensão de floresta ardida, assim, como, os milhões de euros que isso custou ao país, e por consequência a todos nós.

Tem o sector do turismo: Uma importante palavra a dizer quando as consequências do comodismo e actuação política permitiu o descalabro que o país viveu nos últimos dias. Sendo, esse sector, se assim o entender, uma das muitas forças que pode acelerar e até mesmo forçar a tomada de medidas imediatas e concretas.

Todos sabemos que este é um sector que vive exclusivamente da imagem que conseguimos transmitir além-fronteiras: Somos muito poucos para conseguir manter viva a indústria, se a imagem que passamos é a de um país desorganizado, carregando a partir de agora, nas costas, 49 mortes numa estrada, mais 15 dentro de casa, ou nas aldeias e mais de 200 feridos. Sendo a culpa de tão trágicos números, atribuída levianamente às condições atmosféricas. As condições atmosféricas são as únicas que o homem jamais consegue controlar, seja, em tempos de cheias ou de fogos, dai, que, o planeamento deveria ter acontecido, ontem. O turista não é parvo, muito menos: os operadores turísticos externos.  

Não é preciso perceber muito da indústria turística, nem fazer grandes estudos, para constatarmos o que atrás escrevi, os estudos no que toca às consequências imprevisíveis que qualquer catástrofe natural pode trazer, para a indústria, são inúmeros, desde a Austrália, Espanha, passando pelo Brasil e pelo resto da Europa, esses estudos estão feitos.

Se à forçada da natureza juntarmos, mais alguma vez, uma imagem caótica, como, aquela que assistimos nos últimos dias, o que é que espera à Industria do Turismo num futuro muito curto?

A época dos incêndios ainda agora começou, enquanto escrevia este texto, no ar, soaram as sirenes dos bombeiros, aqui, em Vila Viçosa.




domingo, 18 de junho de 2017

Silêncio...

Não me peças silêncios nesta hora.
Se só resta o eco aos montes!
São as palavras as grinaldas de flores.
Enquanto o silêncio atrofia…!

Não me peças silêncios.
Só me resta o olhar.
Enquanto posso chorar.
O silêncio será senhor…!
Na terra coberta de cinza.
Nas asas do vento os gritos silenciados…!
Não será a inercia… o mal?
É medonho é mais cinza que a cinza.
Mesmo assim: Voará na voz dos vivos…
Será dor, raiva ou impotência.
Mas será a memória.


domingo, 11 de junho de 2017

Quadras de Santo António

Ó meu rico Santo António
Eu não te peço um marido
Quero dinheiro para o gasóleo
Que isto está muito tremido.

Já tiveste dias melhores
Mas és da minha devoção
Temos falta  de carcanhois
Para a sardinha e o pão.



Ai de mim...

Deixa que adormeça na terra árida. Que o tojo seja o cobertor dos dias frios. A aurora seja o sinal que a alma aguarda. E o vento o ...