sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Razão



Não consigo divagar comigo. Para mim não consigo olhar
De manhã o sol encandeia, à tarde a névoa distrai
De noite a mais fina teia atrofia o meu andar

Dois passos atrás às vezes num só pé a equilibrar
Dou por mim estou no trapézio da garganta se solta um ai
Disfarço o meu mal-estar mas assim não vou encontrar

Mortiça luz na candeia Portugal a naufragar
Submergindo assim se premeia
Imperícia no aforralhar.

E depois, desterrada e fria
A razão de uma qualquer sentença
Nem sempre assim se permeia
O resfriado numa indiferença.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Décimas, Com Troika ou sem troica




(Mote)

Junta tua mão à minha
Em elos redobrados
Embora no fim da linha
Não seremos derrotados

A fúnebre sinfonia
Ouve-se de antemão
Revolta, insatisfação
Numa pesada agonia
A terra bem me dizia
Não vás por esse lado
Mas lá diz o ditado
Ao burro a sua pala
E nesta minha fala
Junta tua mão à minha

Embora os passos pesados
Te pesem com aflição
E por entre trambolhão
Ecoem gritos cansados
Não fiquemos enterrados
Num deixa andar pesaroso
Sei que é doloroso
Sair da casca por vezes
Não nos queremos malteses
Em elos redobrados
                      
Não será coisa minha
Muito menos é paixão
Só dou eco ao filão
Arrancar erva daninha
De que vale ter vidinha
Se liberdade eu quero
E o melhor sempre espero
Para este velho país
Pão na boca sempre quis
Embora no fim da linha

Por isso mesmo cansados
De políticos de merda
Sair à rua em estratega
De braços bem levantados
Só de esperança armados
Com troika ou sem troica
Coelho só na panela
Cobaias é que não somos
Nós o povo é que mandamos
Não seremos derrotados.

sábado, 1 de setembro de 2012

Nina negra

O sol queima
Sua pele morena

Maria veste
Saia amarela
Princesa do povo
Uma aguarela
Nina maresia
Aos olhos meus
De pés descalços
Maria cresce
Por entre percalços
Nina sofre
O choro esconde
Maria negra
Nos ecos da terra
Ouve-se ao longe
O som da chibata
Selva africana
Pátria negra
Essa grandeza
A tua beleza.

Máscara...

Sempre que adivinho a solidão alheia… É como se o espelho estivesse embaciado. E o meu rosto sugado por uma teia. Sempre que ...