sábado, 4 de agosto de 2012

Espelho



Ao sol tórrido de Agosto um cão vadio se abeira
Ignoro enfastiada o seu andar pesado
O abanar de cauda num gesto faminto implorando
O quê? Atenção, comida, quem sabe tem sede
Cão vadio, não passa disso cogito enfastiada.

Dou dois passos em frente mas logo recuo
Afinal o cão é simpático, tem olhar doce
Estico a mão com a incerteza aflorando
Morde ou não morde questão pertinente
À minha mente dolente extenuada

Pelo sol de Agosto, os raios incidem no cão
De um castanho mel com o mel no jeito de olhar
Penso e no meu pensar se reflecte o reflexo
De uma alma com fome triste penar
Afinal já o vejo simpático dá que pensar

A primeira impressão pode ser teatro
Quase sempre encenado pelas evidências
Num cão vadio o espelho reflectido
De uma lida vasta de pertinências.