domingo, 16 de outubro de 2011

Moínha



Porque o tempo me pega de jeito
Me diz, envelheceste…

A estrada ficou para trás
A poeira assentou nas bermas
O restolho ganhou morrinha
Caiu a chuva em moínha
A cal cobriu cabelos
Em sonhos soltos, singelos

Porque o tempo há muito perdeu feitio
E o fato encolheu…

A morte espreita além
A cova jaz ao léu
Coberta p`lo azul do céu
Os olhos enfraqueceram
As pernas ficam aquém
Da destreza, sou ninguém

Porque o tempo é apressado
Debanda tresmalhado…

O amor partiu também
No vão de sete mares
O dia surgiu aos pares
De olhos olhando ao longe
Agora que o tempo é monge
Rezando uma novena
Os olhos perdi de cena

O tempo é acendalha
Ateia gasta fogueira…

Jaz em saco roto
Eu fiquei sem troco
Ao tempo é escusado
Impor ritmo ou fado.

Saber dosear o tempo
Sebenta da alma no “”beiral”” debruçada…

Ser poeta é utopia...

Não sei, nem sequer sei a cor dos dias frios!   Se o céu é azul ou cinzento afogueado.    Nada sei de  efémeras  fantasias.  Delírio...