segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A velhinha


Senhor Manuel o meu pãozito
Assim é todas as manhãs
Eu observo seu rosto bonito
Recordo a frescura das romãs

Costas curvadas p`lo peso da vida
Em passos curtos a praça percorre
De xaile nas costas fica tão bonita
Nos cabelos brancos a vida escorre
Eu observo seu olhar nobre
Ao mesmo tempo a ideia cogita

Quem será esta velhinha
Que se chega p`ra compar o pão
Será que em tempos não foi sozinha
Porque a solidão lhe escorre da mão

Terá tido filhos que deitou no mundo
Terá tido amor por breve segundo
Tantas as perguntas que quero fazer
Morrem nos meus lábios sem acontecer
Observo sem me alongar
O que receio se me aproximar
Tantas as perguntas sem ter respostas
Por fim vou embora num virar de costas

Quem será esta velhinha
Minha mãe poderia ser
Poderia ser a rainha
De um país por acontecer.