terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Janeiro

Abeirou-se mesmo agora um raio de sol vadio
Despencou-se dos céus, de entre nuvens grossas
E gordas pela vastidão alimentadas, vaidosas
São todas as sombras desviadas, pelo sol arredio

Neste mês de Janeiro a terra sangra demais, demais…
Por vezes nos beirais dos meus telhados de zinco
Escorrem grossas gotas de sangue, lembram grinaldas no circo
Da vida, ingrato é o mês de Janeiro, quase que avisto Fevereiro
Ai, ais e mais ais me saltam aos olhos, remendos infernais

Memórias reais recuam no tempo, Janeiro desalento
Um chão a história, ingrata memória que o sol despertou
É assim, chegou finalmente a lágrima vazia, e eu aqui estou
Remoendo o passado, passado passou no sol fugidio.

Onde me encontro o momento é confronto entre a chuva e o estio
Pouco ou nada restou, tudo o vento levou, até o ´´ou´´
Na palavra passou ainda agora finou, apenas ficou
A saudade vincada na palavra sovada por subtil arrepio.