quarta-feira, 29 de junho de 2011

Amanhã


Porque renego a solidão se ela me escorre da pele
Invento mil maneiras de alegria, outras tantas de razia
Invento palavras que desconheço, vocábulos de maresia
Que se albergam airosamente e no final sabem a fel
Por entre paredes caiadas não sei se é noite ou dia
Na minha cegueira quem sabe caberia
O som da tua voz, quem sabe soubessem a mel
As palavras com que açoitasses a invernia
Que renego, porque um poeta é uma alma vadia
Fala de solidão e renega-a vazia

Pobre e tolo coração e esta fúria de vida
Hoje escorre-me da alma, ensopa o chão
De gotículas imaginárias que poisam na tua mão
Amanhã inventará corridas loucas p`lo sul
Os teus e os meus pés descalços pintam um rio azul
Que rega os trigais que não encontro
Amanhã inventarei poesia
Nela transbordará o cheiro a terra molhada
Inventarei as palavras que já conheces
Juntá-las-ei à minha escrita sem norte 
Enterrarei num monte que erra na planície
A tua e a minha meninice, amanhã o vento
Levar-te-á todas as palavras que invento
Porque os poetas se reconhecem
Numa solidão cravejada de palavras que lhes verga as costas.

Ser poeta é utopia...

Não sei, nem sequer sei a cor dos dias frios!   Se o céu é azul ou cinzento afogueado.    Nada sei de  efémeras  fantasias.  Delírio...