quarta-feira, 22 de junho de 2011

Incolor

Incolor…

As  palavras arrumo na gaveta, vazio
Está o espaço circundante da emoção
As rajadas assolaram pareciam furacão
Por fim o silencio acompanhado pelo frio
Nem o cobertor mais quente traz consolação
Os ossos fendem contorce-se a mão
Por entre os dedos não escorre nada, corrupio
Numa surdez bizantina, já nada me dá aflição  
A gaveta tem o simbolismo de um alçapão
Enterrarei nele a minha e a tua emoção

Porque me perco num tempo que não tenho
Porque ensaio danças que não sei
Eu sei, um dia quando as manhãs eram bonitas sonhei
Com palavras bonitas, todas as inventei
Numa invenção castrada, mas que caso sério
Foi este tempo que se foi agora sei
De um tempo em que palavras na tua boca desenhei
E agora que as arrumo na gaveta, pensei
Serei recta ao pensar sem lei
Que o tempo não se comanda mesmo quando dele desdenho
É ele que assume o fim quer queira quer não, é férreo
O tempo meu amor não entra em contradição
A sua frieza subtil agora sei é incolor e escorre-me da mão...

Ser poeta é utopia...

Não sei, nem sequer sei a cor dos dias frios!   Se o céu é azul ou cinzento afogueado.    Nada sei de  efémeras  fantasias.  Delírio...