sábado, 29 de agosto de 2015

Se a pele fosse vértice...

E se ao invés dos corpos se despissem as dores,
no encrespar que a sorte deixa ao passar.
Se os olhos e os lábios vertessem cores,
e a pele fosse vértice sem nunca naufragar.

E se a alma que sussurra por activos amores,  
desnudasse com prazer na languidez do olhar.
A libido que é caverna da mente dando ares,
Ao fazer sem encantar. Apetece-me gritar!

Rasga a roupa que trazes vestida, olha o tempo.
Arrepia caminho por terra de ninguém.
Adentra em mim mansamente ou o desalento,

que pressinto na tua sina é atroz e é vaivém.
Marialva entre sonhos à toa, e o medo…
É muralha onde para sempre sou refém.

Primeiro poema de um ciclo dedicado ao erotismo.
Quando o mundo dá maior visibilidade ao supérfluo e sem sentido ao poeta  pouco mais resta do que tentar redireccionar olhares. 
A foto que acompanha este poema é uma entre milhares que circulam no Google, sobre o que se está a passar no Mediterrâneo.

Ser poeta é utopia...

Não sei, nem sequer sei a cor dos dias frios!   Se o céu é azul ou cinzento afogueado.    Nada sei de  efémeras  fantasias.  Delírio...