sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Hibernar...

Tenho frio…
E as pontas dos dedos enfriadas, lastimam,
com elas as costelas reclamam,
os dedos dos pés… É melhor não falar.
O queixo, esse treme arrefecido
por um vento de cortar.

Tenho frio…
O que vinha mesmo a calhar.
Um copito de ginja para o gelo enxotar,
ou uma boa lareira de tronco de azinho,
uma castanha assada, ou um chá de cidreira,
uma escalfeta, ou um vira dançar.

Mas, com os pés a tiritar, como virar…
O madeiro de azinho quando em cinza ficar.
E a mão sem atinar, o copo de ginja entornar…
Mas como, uma escalfeta, onde a vou encontrar?
E de castanhas assadas, nem cheiro no ar.
O chá de cidreira, não me apetece ir comprar.

Tenho frio…
Por isso vou hibernar.
Ou o queixo coitado acabará por cair,
ao oscilar sem nunca parar.
As costelas, essas, rangem de tanto rir,
com o que à mente me acabou de saltar.




Ai de mim...

Deixa que adormeça na terra árida. Que o tojo seja o cobertor dos dias frios. A aurora seja o sinal que a alma aguarda. E o vento o ...