sábado, 10 de janeiro de 2015

O Fruto...

Preciso de amor no ausente amarelado
de um gesto. Gélido, que passa sem marca,
onde o meu crer desnutrido e tão fraco
é covil de tristeza, a que sei retalhada.

Num tempo que se foi. Quem fui, quem sou…
Sombra invisível a quem passa apressado.
Tormenta, ou povo sem destino traçado.
Tenho somente o fim no amanhã anunciado…
Restou o passeio despido e gelado!

Ah… Como queria voltar atrás, menina e moça.
Faria tudo ao contrário, ou talvez não.
Sou nada mais que o fruto da revolução!
Choveram cravos vermelhos nos meus olhos,
papoilas esvoaçaram nos coitos desejados…
Construí um país melhor… Nos olhos de uma pomba
voaram tempestades, que retornaram na velhice!
E eu, perdida, mendiga, sem tecto ou eira,
sou os cadilhos soltos de uma bandeira.

Foto: Alfredo Cunha.




Ser poeta é utopia...

Não sei, nem sequer sei a cor dos dias frios!   Se o céu é azul ou cinzento afogueado.    Nada sei de  efémeras  fantasias.  Delírio...