domingo, 25 de dezembro de 2011

Afinal é ou não Natal

Manhã de Natal
O silêncio pesa na rua, as fachadas dormem
Ao longe o barulho de um carro
O gato dorme também silencioso
Apenas o ruído do meu pensamento
Abala a quietude deste momento

Se a  chuva caísse diria cheira a Natal
Mas o sol teimoso abre-me os braços
Assim a vida os abrisse aos que sofrem
Diria que o Natal se tinha desfeito de embaraços

O silêncio continua a reinar
A minha filha dorme no outro andar
E eu escrevo, mas para que escrevo afinal
Se hoje é manhã de Natal
Que me importa a mim se alguém tem frio
Ou se alguém se despenhou no vazio
Não, não me peçam olhares ternurentos
Num só dia
A minha filha quando acordar sorrirá
O gato tranquilamente acordará
Até as fachadas abrirão os olhos
Delas a vida transbordará em molhos
Uns de um doirado vistoso
Outros de um castanho rugoso

Eu comodamente fecharei o caderno
Esquecerei que este é um dia de Inverno
Dia de Natal
Caminharei apressada pela rua a fervilhar
Irei de encontro a quem está a passar
Mas não o olharei.

Afinal é ou não dia de Natal.
Afinal depressa me esquecerei
E o mundo pelos vistos continuará mal
Eu estranho que um dia também morrerei.