segunda-feira, 14 de julho de 2014

Era eu uma criança...

Décima com que participei no II Encontro de Poetas Populares de Vila Viçosa, tendo como mote uma quadra do Poeta Popular José António das Mercês.
Foi um dia muito bonito onde a poesia popular brilhou nas rimas de poetas de mão cheia, gente habituada ao sol escaldante do Alentejo e que retrata nas suas rimas o dia-a-dia desta terra. O mais jovem de todos nós com a bonita idade de 94 anos, o mestre José Salgueiro.


Onde está a liberdade
Que os Capitães conquistaram?
Recordamos com saudade,
O que já nos tiraram… ( José António das Mercês )

Era eu uma criança
Da vida pouco previa
Aos meus olhos luzidia
Nasceu a confiança.
Fraternidade e mudança
Cravos rubros igualdade,
Desde o campo à cidade
Entrou p`la madrugada.
Trouxe no peito a enxada
Onde está a liberdade…

Onde estão ceifas de esperança
Onde estão velhos soldados,
Camponeses embriagados 
Em Abril e sua herança.
Onde está a confiança
No meu país, sonho belo,
Abril lindo novelo
Tecido em trovas fartas.
Onde estão as longas asas
Que os capitães conquistaram…

Do Zeca sua palavra
A bitola dos poetas
Relembro tantas conversas,
As lágrimas de alegria.
Com os velhos de outra era,
Papoilas na primavera!
E dos bandos de gaiatos
Soltos de amarras e cintos
Por entre sonhos famintos,
Recordamos com saudade.

Alentejo berço da gente
Meu campo de trigo oiro
Do país farto tesoiro,
Estrela guia reluzente.
Traz ao nosso presente
O crer tingido de barro,
A esperança de um chaparro
Que no montado cresce,
Nas suas raízes renasce
O que já nos tiraram.




Silencio…!

Reina, invisível… Nem as paredes sabem  a cor. Ou o cheiro do seu eterno bafo. São tantas as nuances que não cabem na casa desventra...