quarta-feira, 2 de julho de 2014

Musa...

Eu, poeta me confesso, num padre-nosso abreviado...
Sou um pouco tresloucada, acredito no amor.
Do medo tenho pavor, a sete pés do rancor,
fujo por campo lavrado.
De olhos postos no céu...
Outras vezes pelo barro...
Vou andando em contramão, aqui e ali colho uma flor...
Que a minha insensatez colhe do fundo de um tarro!

Eu, poeta me confesso a quem me vê desnuda.
Tenho dias enviesados, tal como toda a gente.
Procuro na terra musa, que me diga e fale alto:
Não te arrastes pela vida, não vale o espalhafato.
Vejam bem para meu fadário, chega em jeito de lua cheia...!
De mansinho pela noite, ou então na tarde calma.
De roupagem a miragem, um oásis no deserto.
Por vezes a céu aberto, dá-me forte abanão!
Dou por mim, corpo no chão...
Num espojinho intricado, para mal dos meus pecados:
Não percebo patavina. Esta musa tão traquina,
que me sobe à cabeça, fala baixinho, sussurra:

Tu poeta te confessas...! Diz-me lá o que isso muda?

Nessa hora tresloucada, dou por mim a meditar.
Triste musa malfadada. Como é triste o teu falar!

Eu, poeta me confesso, mas o credo não vou rezar.
Esperarei pelo sonho, de um herói, encontrar...
E aí; musa maldita, tens que te por a pau.
Deixarás de ditar regra, no mar uma outra nau...!




Ai de mim...

Deixa que adormeça na terra árida. Que o tojo seja o cobertor dos dias frios. A aurora seja o sinal que a alma aguarda. E o vento o ...