domingo, 23 de janeiro de 2011

Nadas...


Tentei falar com o nada, uma conversa de nada
Falei, falei, a alma desnudei, no fim bagatela
Reinou no silêncio de uma conversa aguada
 E a noite seguiu o percurso surda e singela

Ao virar costas, senti  na cara forte rajada
No peito senti  pequena  amolgadela
Virei a cabeça, cruzar de braços de uma assentada
E a noite seguiu e não viu  que deixou mazela

O nada voltou  pela manhã, o sol ainda raiou
Ao olhar o espelho uma ruga vincada segredou
Não converses com nadas, que nada se passou

Dei voltas e voltas, e a noite teimosa voltou
Vestida de gala num Inverno que tudo gelou
E a lembrança atracada veio com ela, e me abraçou.

Ser poeta é utopia...

Não sei, nem sequer sei a cor dos dias frios!   Se o céu é azul ou cinzento afogueado.    Nada sei de  efémeras  fantasias.  Delírio...