quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Pedaço de papel...

Um pedaço de papel que rola sem estrada
Amarrotado, pela chuva deslavado
Pelo vento ao trambolhões é levado
Um pedaço de papel, pouco mais que nada

Tento desenhar cada ruga cada olhar
Cada fio de cabelo caído sobre a testa
As nesgas de emoção que se abrem em fresta
O brilho do sorriso tento desenhar

Num pedaço de papel triste e enrugado
Está caído num fundo de gaveta
Ao seu lado uma caneta espreita
Espera, uma espera que o deixa amedrontado

Rabisco por fim num traço incerto
Começo pelo meio, deslizo a medo
Mas logo ali uma nuvem em segredo
Me fala sem medo de areias no deserto

Continuo o traço agora mais afoita
Perco a compostura e rabisco com raiva
Uma lágrima que cai no meio como seiva
Quietação, mas o perfil desponta

Por fim um retoque, a obra está pronta
Olho abismada dos dedos me saiu
Foram pingos de sangue que ninguém viu
É poema inacabado que agora se apronta

Vai sair airoso, andar de rua em rua
Saltitar nas flores e no teu olhar
Irá os teus lábios e os teus olhos beijar
E eu, eu fico aqui numa espera crua.

Que num dia qualquer, outro pedaço de papel
Me acene nacos de ilusão
Eu pegarei na caneta e escreverei, solidão.
O mel a esvair em vestes de burel.






Ser poeta é utopia...

Não sei, nem sequer sei a cor dos dias frios!   Se o céu é azul ou cinzento afogueado.    Nada sei de  efémeras  fantasias.  Delírio...