sexta-feira, 4 de abril de 2014

Monte...

Cresci numa casa branquinha
De telha vã, o telhado
Uma chaminé amarela
Caiada a oca
De terra batida, o chão.

Recordação
 De quando criança
Do vento suão
 Resta a lembrança

Uma figueira na rua
A casota do cão de guarda
A capoeira onde a perua
Aguarda

Casa de pobre, feliz
Quem me desdiz
Que no descampado perdido
O velho monte ferido
Implora à vida.

Volta
Criança traquina
Trás no peito a vontade
E quem sabe
Mantenha de pé.

A velha figueira sem figos
A capoeira sem rede
A chaminé sem lume
E afaste os gemidos

Que a saudade de outrora
Crava no barro vermelho
Serenamente implora
Salvem o monte velho

Cresci num monte caiado
P`las mãos que ceifavam o trigo
De pé azul rente ao chão
Um forno onde cozia o pão

Hoje ao recordar, o brado
Que chega no vento em gemido
Tal como meu monte caído
Sufoco na recordação