terça-feira, 15 de abril de 2014

Às vezes...

Às vezes oiço, outras nem tanto
Também falo só por falar
Ou então fico calada, logo
Escrevo, de uma assentada
Sou mal-interpretada
Sou aplaudida, faço disto sururu
Escrevo, para martírio…
Meu.

Se o olhar fosse emergente
Que alegres os meus dias
Escrevo o que vejo, negligente
Seria.

Se a palavra fosse vã
Respirava a céu aberto
Mas era ovelha sem lã
Morreria de frio.

Tudo isto para dizer
O que o poeta um dia disse
Chorar mesmo sorrindo
Fingir ser, e não ser
Fazer do poema um rio

Onde possas lavar as mágoas
Ou seja a tua almofada
Mesmo que sejam adagas
Verdade ou mentira

O poeta é indigente
Outras vezes reticente
É rei e pedinte
Dissimula e empurra

Tudo isto sou eu…