quarta-feira, 4 de junho de 2014

Décimas… Os pombos na praça...

Felizes os pombos na praça
Numa dança sem igual
Cheios de vida e de graça
Alheios a vendaval.

Voa, voa, pombo belo
De um cinzento tão brilhante
Teu olhar é cativante
Ar sereno e singelo
Voa, voa, pombo belo
Leva nas asas plangor
Que trago no meio da dor
De um povo de rosto amargo.
Voando soltos no largo
Felizes dos pombos na praça.

Alegria das crianças
Em alegre brincadeira
Alheias a canseira
Descomplicam as andanças
Ensaiando contradanças
Querem os pombos tocar.
Nesse baile vem entrar
Com elas de riso solto
Passo certo desenvolto
Numa dança sem igual.

Volta ao tempo da romã
Das nozes e das amêndoas
Aos cortiços das abelhas
À pesca do achigã
À capa de fofa lã.
Com os pombos e as crianças
Entra já, sem reticências
Com vontade leve e sã
Os pombos pela manhã
Cheios de vida e de graça.

Voam em círculo fechado
Outras vezes mais aberto
Junto às nuvens ou mais perto
Sobrevoam o telhado.
Fico de olhar abismado
Pelo voo engalanado
Pelo riso adocicado
De sangue novo na guelra.
À solidão fazem guerra
Alheios a vendaval.




Máscara...

Sempre que adivinho a solidão alheia… É como se o espelho estivesse embaciado. E o meu rosto sugado por uma teia. Sempre que ...