segunda-feira, 2 de junho de 2014

Deserto

O que faço com o rodopio estrondoso
 Que os pensamentos motivam
Sempre que dou por mim a cismar

O que sou, o que fui, para onde
Me leva o dia, que será que esconde
A noite traiçoeira,
Só uma certeza brejeira…

Sou filha das pedras, como pai o barro
De madrinha a chuva, minha irmã a esteva
Bizarro parentesco, faz todo o sentido
Não me encaixo no contexto deste mundo iludido

Por mãe uma ribeira cheia de peixes vermelhos
Só assim entendo os pensamentos traiçoeiros
E se um dia me apaixonar pelo montado matreiro…
Que embala na sua sombra um velhinho sobreiro.

Aí sim, corro pela campina agreste
Finalmente gritarei. Sou eu …no campo a rodopiar
Sob o sol de Agosto, bebo água da fonte
E amanhã… amanhã volto a questionar.

O que sou, o que fui?

Um grão de areia num deserto de míngua!