domingo, 13 de setembro de 2015

Mesmo assim...

No fundo dos meus olhos amealho receios!
Quem sou afinal no lamaçal do mundo?
-Concubina das palavras, esfiapos de bandeira
amarelecida pelo tempo. Que me vê bichada!

Viro as costas às certezas, às visões possíveis,
sobretudo às utopias, sempre que cruzo a rua
de um lado para o outro, lá atrás a noite escura:
onde as estrelas são palco que não venero.

Sei que sorris, ao cruzar ombro a ombro a mesma rua,
e que inventas mil desculpas, todas elas são cometas:
que me caem aos pés! São as certezas tábua rasa,
sou eu folha de outono, levada pelo vento…

És tu, o envelhecer que não se importa
se a vida traçada, foi bem ou mal vivida.
São todos os meus versos espadas afiadas,
mesmo assim sou a insignificância.
Que se cruza contigo na calçada!