domingo, 6 de setembro de 2015

Nada faz sentido..

Não faz sentido, ter mãos sem trabalho,
coração sem amor pelo próximo,
terra onde tudo o que persiste é medo.
Não faz sentido o amanhecer,
se a mente não alcança além.

Não faço sentido!
Sinto-me barata tonta a naufragar num oceano de labaredas.
Restam delas as cinzas e nas cinzas serpenteia ilusão.

Não me olhes,
 vivo num tempo que não me pertence,
e ao qual eu não pertenço.
Vivo nele paredes meias com a loucura,
E redescubro que estou sozinha!
Tão sozinha como todos os poetas,
dos quais me alimento.
Almejo tão-somente o dia da junção:
o festim procriará para além do universo.
Nas profundezas da terra,
leito onde se reencontra a paz.

Enquanto não me tornar pó, que alimenta o pó:
que Deus me dê forças, para natura continuar.
Caminhando de costas voltadas aos costumes.
Mesmo assim voo em voo rasante,
e ao cair da noite adormeço em paz!

Ser poeta é utopia...

Não sei, nem sequer sei a cor dos dias frios!   Se o céu é azul ou cinzento afogueado.    Nada sei de  efémeras  fantasias.  Delírio...