domingo, 27 de setembro de 2015

Ainda assim...

Ignora-me.
Mas também os gritos,
deste povo.
Barro chão!

Ignora a lembrança
da minha pele na tua.
Da minha voz
ao teu ouvido.
O coração!

Ignora o barro,
a terra vermelha,
ou amarelecida p`lo trigo.
A minha feição
de moira fronteiriça.
Com o deserto
o pão!

Ignora-me.
Mas ignora também
a memória que trago
cravada no peito.
Gravada nas mãos
a solidão!

Ignora as lágrimas,
à luz da candeia
dos teus avós.
São as minhas de hoje!
Nas costas a curvatura
que herdei da terra.
Que vastidão!

Ignora-me.
Ainda assim, a tua lembrança
sou eu.
E aquela estória a recordar
te traz até mim!
Tenho ou não tenho…

Razão?

Máscara...

Sempre que adivinho a solidão alheia… É como se o espelho estivesse embaciado. E o meu rosto sugado por uma teia. Sempre que ...